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terça-feira, 19 de maio de 2026

e. e. cummings: "do não do engodo advém..."

 
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[traduzido por Nelson Ascher]

do não do engodo advém
a verdade de um sim
(só ela mesma e quem
é sem jamais ter fim)

e assim todo demente
(como eu no inverno) aceita
que assunto algum da mente
vale uma violeta

e. e. cummings

“out of the lie of no . . .”

out of the lie of no
rises a truth of yes
(only herself and who
illimitably is)

making fools understand
(like wintry me) that not
all matterings of mind
equal one violet
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Poesia Alheia: 124 poemas traduzidos, edição bilíngue [poetas diversos], Coleção Lazuli, Tradução, Prefácio e Notas biográficas por Nelson Ascher, e Apresentação [orelhas do livro] por Arthur Nestrovski, 1998, Imago Editora, Rio de Janeiro — RJ; e. e. cummings (1894 1962), ou Edward Estlin Cummings, estadunidense de Cambridge, Massachusetts, estudou na Harvard University, graduou-se em Artes e recebeu o título de Mestre, especializou-se em literatura greco-latina na Cambridge Latin High School, foi poeta de vanguarda, pintor, ensaísta e dramaturgo; escrevia poemas “diariamente” desde os oito anos; em 1917, ainda estudante, teve seus primeiros poemas publicados na coletânea Eight Harvard Poets; após formar-se trabalhou para um livreiro; andejou pela Europa e África, inscreveu-se como voluntário na primeira guerra mundial; em 1923, veio à luz sua coletânea poética de estreia: Tulips and Chimneys; trabalhou como ensaísta e retratista para a revista Vanity Fair, suas obras: The Enormous Room (1922), Tulips and Chimneys (1923), &, XLI Poems (ambos em 1925), is 5 (1926), Him (teatro, 1928), W (ViVa, 1931), CIOPW (“charcoal, ink, oil, pencil, watercolor”, desenhos e pinturas, 1931), No Thanks (1935), Collected Poems (1938), 1 x 1 (1944), Santa Claus: A Morality (teatro, 1946), XAIPE: Seventy-One Poems (1950), 95 Poems (1948), 73 Poems (phosthumous, 1963) etc.; cummings também escreveu livros para o mundo infantil; recebeu premiações por sua obra.

domingo, 4 de outubro de 2020

e. e. cummings: Não será sempre assim... Quando não for, . . . [soneto]

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[traduzido por Manuel Bandeira]

Não será sempre assim… Quando não for,
Quando teus lábios forem de outro; quando
No rosto de outro o teu suspiro brando
Soprar; quando em silêncio, ou no maior

Delírio de palavras desvairando,
Ao teu peito o estreitares com fervor;
Quando, um dia, em frieza e desamor
Tua afeição por mim se for trocando:

Se tal acontecer, fala-me. Irei
Procurá-lo, dizer-lhe num sorriso:
“Goza a ventura de que já gozei.”

Depois, desviando os olhos, de improviso,
Longe, ah tão longe, um pássaro ouvirei
Cantar no meu perdido paraíso.

e. e. cummings

it many not always be so

it may not always be so; and i say
that if your lips, which i have loved, should touch
another’s, and your dear strong fingers clutch
his heart, as mine in time not far away;
if on another’s face your sweet hair lay
in such silence as i know, or such
great writhing words as, uttering overmuch,
stand helplessly before the spirit at bay;

if this should be, i say if this should be 
you of my heart, send me a little word;
that i may go unto him, and take his hands,
saying, Accept all happiness from me.
Then shall i turn my face, and hear one bird
sing terribly afar in the lost lands.

(Tulips & chimineys — 1923)
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Estrela da Vida Inteira — Manuel Bandeira, nova edição, 2008, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; e. e. cummings (1894 1962), ou Edward Estlin Cummings, estadunidense de Cambridge, Massachusetts, foi poeta de vanguarda, pintor, ensaísta e dramaturgo; estudou em Harvard, especializando-se em literatura grega; andejou pela Europa e África, inscreveu-se como voluntário na primeira guerra mundial, trabalhou como ensaísta e retratista para a revista Vanity Fair, bibliografia: The Enormous Room (1922), Tulips and Chimneys (1923), &, XLI Poems (ambos em 1925), is 5 (1926), Him (teatro, 1928), W (ViVa, 1931), CIOPW (“charcoal, ink, oil, pencil, watercolor”, desenhos e pinturas, 1931), No Thanks (1935), Collected Poems (1938), 1 x 1 (1944), Santa Claus: A Morality (teatro, 1946), XAIPE: Seventy-One Poems (1950), 95 Poems (1948), 73 Poems (phosthumous, 1963) etc.; cummings também escreveu livros para o mundo infantil; recebeu premiações por sua obra.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

e. e. cummings: em algum lugar onde nunca estive, . . .

Antologia da Nova Poesia Norte-Americana | Livro Editora ...
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[traduzido por Jorge Wanderley]

em algum lugar onde nunca estive, e felizmente aquém
de qualquer experiência, teus olhos guardam seu silêncio:
em teu gesto mais frágil há coisas que me envolvem
ou que não posso tocar porque estão muito próximas

teu olhar mais leve facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos,
e me entreabres sempre, pétala por pétala, como a Primavera
(por toques habilidosos, misteriosamente) abre a primeira rosa

ou se teu desejo é me fechar, eu e
minha vida nos fecharemos formosa e rapidamente
como quando o coração desta flor imagina
que a neve cuidadosamente está caindo em toda a parte;

nada do que podemos perceber neste mundo se compara
ao poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
me compromete com a cor de seus países
e me entrega para sempre a morte cada vez que respiro

(nada sei do que te faz tão poderosa
ao me mover; mas algo em mim compreende apenas
que a voz de teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem as mãos assim pequenas.

E. E. Cummings – Wikipédia, a enciclopédia livre
e. e. cummings

somewhere i have never travelled

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility; whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
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Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; e. e. cummings (1894 — 1962), ou Edward Estlin Cummings, estadunidense de Cambridge, Massachusetts, foi poeta de vanguarda, pintor, ensaísta e dramaturgo; estudou em Harvard, especializando-se em literatura grega; andejou pela Europa e África, inscreveu-se como voluntário na primeira guerra mundial, trabalhou como ensaísta e retratista para a revista Vanity Fair, bibliografia: The Enormous Room (1922), Tulips and Chimneys (1923), &, XLI Poems (ambos em 1925), is 5 (1926), Him (teatro, 1928), W (ViVa, 1931), CIOPW (“charcoal, ink, oil, pencil, watercolor”, desenhos e pinturas, 1931), No Thanks (1935), Collected Poems (1938), 1 x 1 (1944), Santa Claus: A Morality (teatro, 1946), XAIPE: Seventy-One Poems (1950), 95 Poems (1948), 73 Poems (phosthumous, 1963) etc.; cummings também escreveu livros para o mundo infantil; recebeu premiações por sua obra.

domingo, 15 de julho de 2018

e. e. cummings: talvez não seja bem assim; mas digo . . . [soneto]

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[traduzido por Ivo Barroso]

talvez não seja bem assim; mas digo
que se teus lábios, que eu amei beijarem
outro, e teus dedos fortes agarrarem
seu coração, tal como foi comigo;
se teus cabelos noutra tez roçarem
num silêncio que eu sei, ou se contigo
no ardor de frases tensas se agitarem
como indefesa e acuada ante o perigo;
se acaso for assim, ah! se assim for 
tu que és minh’alma, dize-me que irei
em busca desse alguém, mãos estendidas,
dizer-lhe, Sê feliz com  meu amor.
Na volta, ao longe, um pássaro ouvirei
cantar nas terras para mim perdidas.

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it may not always be so; and i say
that if your lips,which i have loved, should touch
another’s, and your dear strong fingers clutch
his heart, as mine in time not far away;
if on another’s face your sweet hair lay
in such silence as i know, or such
great writhing words as, uttering overmuch,
stand helplessly before the spirit at bay;
if this should be, i say if this should be 
you of my heart, send me a little word;
that i may go unto him, and take his hands,
saying, Accept all happiness from me.
Then shall i turn my face, and hear one bird
sing terribly afar in the lost lands.

(Tulips & chimineys  1923)
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O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; e. e. cummings (1894 — 1962), ou Edward Estlin Cummings, estadunidense de Cambridge, Massachusetts, foi poeta de vanguarda, pintor, ensaísta e dramaturgo; estudou em Harvard, especializando-se em literatura grega; andejou pela Europa e África, inscreveu-se como voluntário na primeira guerra mundial, trabalhou como ensaísta e retratista para a revista Vanity Fair; bibliografia: The Enormous Room (1922), Tulips and Chimneys (1923), &, XLI Poems (ambos em 1925), is 5 (1926), Him (teatro, 1928), W (ViVa, 1931), CIOPW (“charcoal, ink, oil, pencil, watercolor”, desenhos e pinturas, 1931), No Thanks (1935), Collected Poems (1938), 1 x 1 (1944), Santa Claus: A Morality (teatro, 1946), XAIPE: Seventy-One Poems (1950), 95 Poems (1948), 73 Poems (phosthumous, 1963) etc.; cummings também escreveu livros para o mundo infantil; recebeu premiações por sua obra.