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domingo, 16 de abril de 2017

Eduardo de Oliveira: Carruagem de fogo

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para Lenice David Antunes

Quem for aos labirintos da memória,
escuros, como a velha catacumba,
há de acabar reconstruindo a história
desses heróis, que não tiveram tumba;

desses mártires, cuja voz retumba
como trombetas, lá, na eterna glória...
onde se encontra o sangue de Lumumba
e de Luíza Mahin, que vence a escória!

De cada esquina há de surgir um santo!
Novos guerreiros surgirão da praça
ao lado dos poetas e dos sábios!

Aí verão que tinham outro encanto,
os negros e os heróis de nossa raça,
nas palavras de fogo de seus lábios!

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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.