sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Friedrich Hölderlin: Os Poetas Hipócritas

Resultado de imagem para o canto do destino e outros cantos
____________________
[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

Dos deuses, ó frios fariseus, não me faleis:
   Pois de razão viveis, e em Hélios não acreditais,
      E nem mesmo no Tonante, e nem no deus do mar!
         Jaz a terra morta, e quem deve agradecer?

Paciência, deuses, que o cantar ainda laureais,
   Mesmo em fuga esteja a alma aos nomes vossos!
      E quando falte um verbo de grandeza,
         Que em ti se pense então, Mãe Natureza.

Resultado de imagem para friedrich hölderlin deutsch

Die scheinheiligen Dichter

Ihr kalten Heuchler, sprecht von den Göttern nicht!
   Ihr habt Verstand! ihr glaubt nicht an Helios,
      Noch an den Donnerer und Meergott;
         Tot ist die Erde, wer mag ihr danken? —

Getrost ihr Götter! zieret ihr doch das Lied,
   Wenn schon aus euren Namen die Seele schwand,
      Und ist ein großes Wort vonnöten,
         Mutter Natur! so gedenkt man deiner.
____________________
Canto do Destino e outros cantos Hölderlin, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia); Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Afonso Henriques Neto: Na sombra

Afonso Henriques Neto por Marcelo Santos – EdUERJ – Editora da ...
____________________
I

murmúrio da sombra
no muro
pássaro escuro

II

na alameda
minha sombra pousa
na borboleta

III

erótico arranjo
nossas sombras se abraçando
trepada de anjos

IV

raio branco a pino
nenhuma sombra pelo gelo
perpétuo sino

V

na sombra da noite
néon faminto de beleza
sanduíche na mesa

VI

sombra de mão já
ida em letra por ela escrita
preciosa jazida

VII

campo vento flor
sol sombra rio
perfeito percurso das palavras
para o sem nome, cio

SIP (Ser infinitas palavras — 2001) [Piano mudo], p. 185

Resultado de imagem para afonso henriques neto
____________________
Afonso Henriques Neto (Coleção Ciranda da Poesia), Estudo/Ensaio e Entrevista por Marcelo Santos, 2012, Editora UERJ — Rio de Janeiro — RJ; Afonso Henriques de Guimaraens Neto, nascido em 1944, mineiro de Belo Horizonte, formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), com doutorado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participante ativo do movimento político-cultural conhecido como poesia marginal da década de 1970, é professor, ensaísta, tradutor e poeta; morou e atuou em Brasília DF e atualmente vive no Rio de Janeiro; bibliografia: O misterioso ladrão de Tenerife (1ª edição em 1972), Restos & estrelas & fraturas (1ª edição em 1975), Ossos do paraíso (1981), Tudo nenhum (1985), Avenida Eros (1992), Piano mudo (1992), Abismo com violinos (1995), Eles devem ter visto o caos (1998), Ser infinitas palavras (2001), Cidade vertigem (ensaio poético, 2005), Fogo Alto: Catulo, Villon, Blake, Rimbaud, Huidobro, Lorca, Ginsberg (traduções, 2009), Uma cerveja no dilúvio (2011) e outros; participou de antologias.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Mário de Sá-Carneiro: Certa vez na noite, ruivamente

60 poetas trágicos | Amazon.com.br
____________________
Esquivo sortilégio o dessa voz, opiada
em sons cor de amaranto, às noites de incerteza,
que eu lembro não sei de onde a voz duma princesa
bailando meia nua entre clarões de espada.

Leonina, ela arremessa a carne arroxeada;
e bêbada de si, arfante de beleza,
acera os seios nus, descobre o sexo… Reza
o espasmo que a estrebucha em alma copulada…

Entanto nunca a vi mesmo em visão. Somente
a sua voz a fulcra ao meu lembrar-me. Assim
não lhe desejo a carne a carne inexistente…

É só de voz-em-cio a bailadeira astral
e nessa voz-estátua, ah! nessa voz-total,
é que eu sonho esvair-me em vícios de marfim...

Lisboa 1914  janeiro 31

____________________
60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Mário de Sá-Carneiro (1890 1916), português e lisboeta, cursou Direito em Coimbra, sem concluir os estudos, e foi poeta, contista e ficcionista, sendo considerado um dos expoentes do Modernismo em Portugal; foi responsável pela edição da revista literária Orpheu, causadora de escândalo nos meios literários à época; seus textos foram registrados, parte em vida, nas revistas Alma Nova e Contemporânea, e, depois, postumamente, também nas revistas Pirâmide e Sudoeste; são de sua autoria Amizade (peça teatral, 1912), Princípio (novelas, 1912), A Confissão de Lúcio (romance, 1914), Dispersão (poesias, 1914), Céu em Fogo (novelas, 1915); publicações póstumas: Indícios de Oiro (textos mais significativos de sua obra, 1937), Cartas a Fernando Pessoa (correspondências, 2 volumes, 1958 e 1959) e outros títulos; o poeta cometeu suicídio em 26 de abril de 1916, não sem antes revelar tal intenção em correspondência a seu amigo e poeta Fernando Pessoa.

Hilda Hilst: Ai que distância meu ódio-amor . . .

Resultado de imagem para hilda hilst da poesia
____________________
XLIII

Ai que distância
Meu ódio-amor
Que dores
Que cintilâncias
De pena.
Tão a meu lado
Te penso
No entanto
Tão afastado

Como se a água ficasse
A um dedo da minha boca
E todo o deserto à volta
Me segurasse.

Tão triste e tão à vontade
Neste meu sol de martírios

Como se o corpo soubesse
Desses caminhos da sede
Porque nasceu conhecendo
Da paixão seu descaminho.

E brilhos no teu sadismo
E perdição na minha cara.
Que coloridos espinhos
Terás

Para a tua dura saudade.
Que tempestades de sede
Nos areais da procura
Quando saíres à caça
De quem te amou. De mim.

À caça do NUNCA MAIS.

(Cantares de perda e predileção — 1983)

Resultado de imagem para hilda hilst
____________________
hilda hilst — da poesia, 2018, 1ª edição, 3ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Georg Trakl: sussurrado para uma tarde

Resultado de imagem para massao ohno a poesia alemã breve antologia
____________________
[versão de Roswitha Kempf]

Sol de outono, tímido e fino
E os frutos caindo ao solo.
O silêncio habita as moradas azuis
Por uma longa tarde.

Sons fúnebres de metal,
Um branco animal colapsa.
Os cantos roucos das moças morenas
Esmaecem como as folhas.

Sonha em cores a face de Deus
E sente o toque da loucura.
As sombras gravitam em torno do morro
Beiradas putrefatas, de preto,

O crepúsculo pleno de paz e de vinho,
Guitarras tristes escorrem.
À luz suave do aposento
Retornas como em sonhos.

Resultado de imagem para georg trakl

An den Nachmittag geflüstert

Sonne, herbstlich dünn und zag,
Und das Obst fällt von den Bäumen.
Stille wohnt in blauen Räumen
Einen langen Nachmittag.

Sterbeklänge von Metall;
Und ein weißes Tier bricht nieder.
Brauner Mädchen rauhe Lieder
Sind verweht im Blätterfall.

Stirne Gottes Farben träumt,
Spürt des Wahnsinns sanfte Flügel.
Schatten drehen sich am Hügel
Von Verwesung schwarz umsäumt.

Dämmerung voll Ruh und Wein;
Traurige Guitarren rinnen.
Und zur milden Lampe drinnen
Kehrst du wie im Traume ein.
____________________
A Poesia Alemã — Breve Antologia (diversos autores), Versão de Roswitha Kempf, 1981, Massao Ohno Editor, São Paulo — SP; Georg Trakl (1887 1914), austríaco de Salzburgo (antigo Império Austríaco), mestre em Farmácia, foi poeta expressionista; na Primeira Guerra, voluntariou-se e exerceu o ofício de farmacêutico em Hospital Militar; Georg Trakl publicou em vida apenas um livro, Poemas (1913), além de textos esparsos em edições da revista Der Brenner e em outros jornais; logo após sua morte, publicou-se Sebastião no Sonho (Sebastian im Traum, 1915); de sua curta biografia, consta que o poeta nutria uma paixão desmedida por sua irmã mais nova, Gretl, personagem presente em grande parte de sua poesia, sentimento esse também compartilhado por ela, a quem se atribui uma forte personalidade e a decidida condução da relação incestuosa; Georg e Gretl, ambos dependentes de narcóticos, cometeram suicídio: ele em agosto de 1914, e ela, já mentalmente transtornada, em 1917.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Paul Éluard: A perder de vista

Resultado de imagem para algumas das palavras paul éluard
____________________
[traduzido por António Ramos Rosa e Luísa Neto Jorge]

no sentido do meu corpo

Todas as árvores com todos os ramos com todas as folhas
A erva na base dos rochedos e as casas amontoadas
Ao longe o mar que os teus olhos banham
Estas imagens de um dia e de outro dia
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A transparência dos transeuntes nas ruas do acaso
E as mulheres exaladas pelas tuas pesquisas obstinadas
As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos lábios virgens
Os vícios as virtudes tão imperfeitos
A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados
A confusão dos corpos das fadigas dos ardores
A imitação das palavras das atitudes das ideias
Os vícios as virtudes tão imperfeitos

O amor é o homem inacabado.

Resultado de imagem para paul éluard
Paul Éluard

A perte de vue
dans le sens de mon corps

Tous les arbres toutes leurs branches toutes leurs feuilles
L’herbe à la base les rochers et les maisons en masse
Au loin la mer que ton oeil baigne
Ces images d’un jour après l’autre
Les vices les vertus tellement imparfaits
La transparence des passants dans les rues de hasard
Et des passants exhalées par tes recherches obstinées
Tes idées fixes au coeur de plomb aux lèvres vierges
Les vices les vertus tellement imparfaits
La ressemblance des regards de permission avec les yeux que tu
conquis
Le confusion des corps des lassitudes des ardeurs
L’imitation des mots des attitudes des idées
Les vices les vertus tellement imparfaits

L’amour c’est l’homme inachevé.

(La vie immédiate 1932)
____________________
Algumas das Palavras, antologia — Paul Éluard, Organização e Prefácio de António Ramos Rosa, Tradução de António Ramos Rosa e Luísa Neto Jorge, edição bilíngue, 2ª edição, 1977, Publicações Dom Quixote, Lisboa — Portugal; Paul Éluard (1895 1952), pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel, francês de Saint-Denis, foi poeta participante ativo do movimento dadaísta e um dos pilares do surrealismo; ainda com 16 anos de idade, ao contrair tuberculose, teve que interromper seus estudos; Paul Éluard manteve uma convivência intensa com os poetas André Breton e Louis Aragon e os artistas plásticos e pintores Picasso, De Chirico, Salvador Dalí, Magritte, Miró, Man Ray e Chagall, atuantes na vida cultural francesa e europeia da época; bibliografia: Premiers poèmes (1913), De Devoir (1916), Les Animaux et leurs hommes, les hommes et leurs animaux (1920), Répétitions (1922), L’Amoureuse (1923), Mourir de ne pas mourir (1924), Au défaut du silence (1925), La Dame de Carreau (1926), Capitale de la douleur (1926), L’Amour la Poésie (1930), À toute épreuve (1930), La Vie immédiate (1932), La Rose publique (1934), Facile (1935), L’Évidence Poétique Habitude de la Poésie (1937), Cours naturel (1938), La victoire de Guernica (1938), Le Livre ouvert (1941), Poésie et vérité (1942), Au rendez-vous allemand (1944), Le lit la table (1944), Poésie ininterrompue (1946), Ode à Staline (1950), Le Phénix (1951), Picasso (dessins, 1952) e outros títulos; o poeta lutou tanto na primeira quanto na segunda grande guerra mundial; filiou-se ao partido comunista francês, mas, sendo excluído depois, nunca deixou de apoiar revolucionários e revoluções; em 1942, seu poema ‘Une seule pensée’ (Um único pensamento) foi enviado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra e, ali, após ser traduzido para vários idiomas, foi distribuído como panfleto e lançado por aviões aliados nos céus de uma Europa conflagrada quem contrabandeou o poema de Éluard foi o pintor brasileiro e pernambucano Cícero Dias (1907 2003), que muito posteriormente recebeu condecoração do governo francês pela proeza realizada.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Francisco Carvalho: Canção da Ira

Resultado de imagem para crônica das raízes francisco carvalho
____________________
Estou com raiva
de ser burguês
raiva do terçol
raiva do talvez.
Raiva dos tempos
que não são tão lindos
raiva do sino
todos os domingos.
Estou com raiva
de ser burguês
raiva dos outros
e de quem os fez.
Raiva da sopa
com metafísica
raiva do pijama
raiva de notícia.
Raiva do astronauta
e do café com leite
raiva da palavra
que fala em segredo.
Estou com raiva
do morto e seu jeito
raiva da calva
e do grito insalubre
a escorrer do peito.
Raiva do sigilo
por trás da parede
raiva da navalha
que nos arremeda
raiva da notícia
que nos mete medo.
Estou com raiva
de ser burguês
raiva da noite
assim de estrelas.
Raiva do mistério
raiva da metáfora
raiva de mim mesmo
raiva do balaço
raiva corrosiva
raiva que se enrosca
feito coisa viva.
Raiva da rotina
raiva poliglota
raiva do automóvel
raiva do cortejo
que corteja a morte.
Raiva essencial
do clamor profundo
que sobe das fezes
minerais do mundo.
Raiva dos sapatos
e da simetria
raiva paralela
à raiva da alegria.
Estou com raiva
da sede maior
que aumenta esta sede
da linfa do amor.

____________________
Crônica das Raízes: poesia — Francisco Carvalho, texto da contracapa: Caio Porfírio Carneiro, Coleção Alagadiço Novo, 1992, Casa de José de Alencar — Programa Editorial, Fortaleza — CE; Francisco de Oliveira Carvalho (1927 2013), cearense de Russas, estudou no Ateneu São Bernardo, foi escritor e poeta; ainda em Russas, publicou seus primeiros versos, numa pequena tipografia; depois, mudando-se para Fortaleza, fez carreira profissional como assessor na Universidade Federal do Ceará, participou da vida intelectual da capital do estado e envolveu-se com os movimentos literários do seu tempo; bibliografia: Cristal da memória (1955), Canção atrás da esfinge (1956), Do girassol e da nuvem (1960), O tempo e os amantes (1966), Dimensão das coisas (1967), Memorial de Orfeu (1969), Quadrante solar (Prêmio Nestlé de Literatura, 1982), Barca dos sentidos (1989), Rosa geométrica (1990), Exercícios de literatura (ensaio, 1990), Crônica das raízes (poesias, 1992), Galope de Pégaso (1994), Textos e contextos (ensaio, 1995), Girassóis de barro (Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 1997), Romance da nuvem pássaro (1998), A concha e o rumor (2000), Memórias do espantalho (2004), e outros títulos em verso e prosa, além de ter participado em antologias publicados no Brasil, Portugal, França e Alemanha; o poeta teve parte de sua obra traduzida para o búlgaro; pertenceu à Academia Cearense de Letras.