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sábado, 14 de novembro de 2020

Paulo César Pinheiro: O Mar e a Mulher

Clave De Sal. Poemas Do Mar | Amazon.com.br
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A mulher tem mistérios
Maiores que o mar.
Tem resgates, naufrágios
No fundo do olhar.

Seu amor é mais forte
Que a arrebentação,
Mas às vezes desmancha
Na areia do chão.

Porque o homem não sabe
O que é que ela quer,
Pois a Rosa-dos-ventos
Quem tem é a mulher.

A mulher tem poderes
Maiores que o mar,
Ela muda o destino,
Até, que Deus dá.

Do seu ventre é que parte
Cada embarcação,
Que não chega num porto
Sem ter sua mão.

Nenhum homem consegue
Levar o escaler,
Porque o rumo dos barcos
Quem traça é a mulher.

A mulher tem segredos
Maiores que o mar.
Nem o mar dá mais medo
Do que o que ela dá.

O mais sábio dos mestres
De navegação
Não mergulha nas ondas
Do seu coração.

Porque, às vezes, os ciclos
De sua maré
São também obscuros
Pra própria mulher.

Paulo César Pinheiro
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, foi compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo; desde os 13 anos fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, primeiro com João de Aquino, logo após, com Baden Powell, depois vieram Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre inúmeros outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), Capoeira de Besouro (2010), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; o poeta de incontáveis criações, com suas letras participou e foi vencedor em vários festivais de música, tendo recebido diversas premiações por sua obra.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Paulo César Pinheiro: Solano

clave de sal - poemas de mar - paulo césar pinheiro
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Solano era sanfoneiro
De vila de pescadores.
Chamado pelos festeiros,
Na roda dos canoeiros,
De mestre dos tocadores.

Pra boda ou pra batizado,
Natal ou aniversário,
Tocava só por agrado,
Não tinha tempo marcado,
Nem pra acabar tinha horário.

O fole serpenteava
No braço do canoeiro.
O baile, às vezes, parava,
E o povo, ali, se sentava
Pra ouvir o som no terreiro.

Bebia bem, cada porto
Um gole, um baile, uma dona.
Quando tocava já torto
Dizia aos seus que nem morto
Calava a sua sanfona.

Um dia foi pr’uma aldeia
Tocar na Festa dos Reis.
Na volta, de cara cheia,
Tirou seu barco da areia,
Seu mano, e era uma vez.

O mar até que era manso,
Mas ele, muito entornado,
E sem ter tido descanso,
Virou, de tanto balanço,
E, ali, morreu afogado.

Diz-se que se vê, no oceano,
Em noite escura, na tona,
Aquele barco, seu mano,
Nele a visão de Solano,
E o som de sua sanfona.

Paulo Cesar Pinheiro conta como nasceu um dos seus maiores sucessos
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, foi compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo; desde os 13 anos fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, primeiro com João de Aquino, logo após, com Baden Powell, depois vieram Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre inúmeros outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), Capoeira de Besouro (2010), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; o poeta de incontáveis criações, com suas letras participou e foi vencedor em vários festivais de música, tendo recebido diversas premiações por sua obra.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Paulo César Pinheiro: Marujada

Poemas Regionais Artur De Sales - Livros, Revistas e Comics no ...
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Tem navio, tem saveiro,
Tem canoa, tem jangada,
chegando marinheiro
Pra dançar a marujada.

Eu nunca gostei de briga
Mas se tem briga eu não fujo,
Inda mais com rapariga
Que sustenta nêgo sujo.
Só assim desenferrujo,
Só assim perco a barriga,
Sou do Porto de Araújo,
Que é só marujada antiga,
Que só gosta de cantiga
De viola de marujo,
Que é feita da mesma liga
Da concha do caramujo.

Tem saveito, tem canoa,
Tem jangada, tem navio,
Marinheiro não enjoa
De cantar o desafio.

Eu não sou de valentia
Mas sou homem de coragem,
Já briguei com ventania
Dando um vento de vantagem.
Tenho muita tatuagem
Feita pela maresia,
Quando eu chego de viagem
Viajo no mesmo dia.
Tirei no cais da Bahia
Carteira de malandragem,
Fui mestre de cantoria
Agora sou personagem.

Tem canoa, tem jangada,
Tem navio, tem saveiro,
chegando a marujada
Pra bater o candongueiro.

Meu avô veio de Angola
Preso que nem passarinho,
Mas na primeira marola
Pulou no rodamoinho.
Virou cavalo-marinho.
Chegou rebentando argola.
Meu avô foi o padrinho
Do primeiro quilombola.
Quando eu era rapazola,
Na Baixa do Pelourinho,
Me ensinou tocar viola
Na poeira do caminho.

Tem jangada, tem navio,
Tem saveiro, tem canoa,
Vou dar mais um rodopio
Pra passar pra outra pessoa.

Cresci no mar, fiquei homem,
Sou filho da água salgada.
No mar matei minha fome.
No mar fiz minha morada.
Não tenho medo de nada,
Nem quando um saveiro some,
Nem mesmo de alma penada
Do corpo que o peixe come.
Não há um mar que eu não dome.
Deixei meu nome na estrada.
E o vento escreve meu nome
No velame da jangada.

Paulo César Pinheiro - Paulo César Pinheiro (1980, Vinyl) | Discogs
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, foi compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo; desde os 13 anos fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, primeiro com João de Aquino, logo após, com Baden Powell, depois vieram Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre inúmeros outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), Capoeira de Besouro (2010), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; o poeta de incontáveis criações, com suas letras participou e foi vencedor em vários festivais de música, tendo recebido diversas premiações por sua obra.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Paulo César Pinheiro: A Grande Viagem

Clave De Sal - Poemas De Mar - Paulo César Pinheiro - R$ 50,00 em ...
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O mar tem muito mistério,
A vida muito segredo.
O mar às vezes me assusta,
A vida às vezes dá medo.

A gente é só marinheiro,
A vida é como o oceano.
No mar tem barco-fantasma,
Na vida tem desengano.

O mar é pura aventura,
A vida é a grande viagem.
Por isso o mar tem quimera
E tem a vida miragem.

O mar é estrada comprida,
A vida é um barco no mar.
O mar vai dar em que vida?
E a vida onde é que vai dar?

Vi meus versos tatuados nos braços das pessoas', diz o compositor ...
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, foi compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo; desde os 13 anos, fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, primeiro com João de Aquino, logo após, com Baden Powell, depois vieram Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre inúmeros outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), Capoeira de Besouro (2010), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; o poeta de incontáveis criações, com suas letras participou e foi vencedor em vários festivais de música, tendo recebido diversas premiações por sua obra.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Paulo César Pinheiro: Peixe de Prata

Poemas Regionais Artur De Sales - Livros, Revistas e Comics no ...
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Parede de ripa
De bambu cortado
No barro batido,
Teto de sapê.
Porta de tramela,
Janela de esteira,
Degrau de conchinhas,
Chão de massapê.

Três passos de sala,
Dois quartos de nada
Levando à cozinha
Por um corredor,
Aonde eu dormia
Com a lua na cama,
Com o vento da noite,
Com cheiro de flor.

Fogão só de lenha,
Panela de ferro,
Os pratos de ágata,
A mesa de ipê.
Toalha de pano
Que vó rendilhava,
Água de moringa,
Café de bangüê.

Angu com torresmo,
Feijão com farinha,
Tainha na brasa,
Só eu, vó e vô.
A sesta em canoa,
Na sombra do rancho,
Ouvindo as estórias
Desse pescador.

De um lado o regato,
Do outro era o mangue,
Siri se pegava
Até no quintal.
Terreiro de areia,
Dez palmos de praia,
Jirau de sardinhas
E um mar de perau.

No rancho um tesouro:
Anzóis, cordas, remos,
Cabaças e velas,
Caniços, puçás,
Agulhas de rede,
Cortiças e rolos,
Chumbinhos, candeias,
Funis, samburás.

Por trás, no terreiro,
Arame de roupas,
Galinheiro, horta,
Moenda e pomar.
Amora, pitanga,
Cajá, cana, manga,
Banana, laranja,
Limão, araçá.

Banheiro era o mato,
O banho  de rio,
Toalha era a brisa,
A luz  lampião.
De noite o silêncio,
E o velho contava
Um caso e mais outro
De assombração.

Por vez, madrugada,
Já deu maré-cheia
De mar no joelho,
Beirando o colchão.
Foi casa den’dágua,
Foi mar den’de casa,
Foi cama virando
Quase assombração.

Cresci desse jeito,
Tem ondas meu sangue,
Tem mar nos meus olhos,
Tem sal minha mão.
E o verso que escrevo
É peixe de prata
Que eu pesco no fundo
Do meu coração.

Paulo César Pinheiro
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, foi compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo; desde os 13 anos, fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, primeiro com João de Aquino, logo após, com Baden Powell, depois vieram Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre inúmeros outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), Capoeira de Besouro (2010), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; o poeta, de incontáveis criações, com suas letras participou e foi vencedor em vários festivais de música, tendo recebido diversas premiações por sua obra.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Paulo César Pinheiro: Barcos

Poemas Regionais Artur De Sales - Livros, Revistas e Comics no ...
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Em noites frias de marinhas brumas,
Quando atracamos no calor do leito,
Quedas a aproa no cais do meu peito,
Paro meu leme em teu porto de plumas.

Como gaivota tu em mim te arrumas
Até achar o pouco e pouco o jeito.
Viramos barco nesse espaço estreito.
Nossos lençóis viram marés e espumas.

Nos encaramos quando dá cansaço.
Nos mergulhamos quando dá vertigem.
Nos navegamos quando dá vontade.

Assim seremos nós, um noutro braço.
Fazendo sempre o que as marés exigem,
De mar algum teremos nós saudade.

Paulo César Pinheiro – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Clave de Sal — poemas de mar: Paulo César Pinheiro, 2003, Gryphus — Companhia Editora Forense, Rio de Janeiro — RJ; Paulo César Pinheiro, nascido em 1949, carioca, compositor, letrista, poeta, produtor musical e dramaturgo, fez parcerias musicais com expoentes da Música Popular Brasileira, inicialmente com Baden Powell, depois com Elis Regina, Elizeth Cardoso, Eduardo Gudin, Francis Hime entre muitos outros; sua obra: na discografia, Paulo César Pìnheiro (1974), O importante é que a nossa emoção sobreviva (1975), Poemas Escolhidos (1983), Afros e Afoxés da Bahia (1989), O Lamento do Samba (2003), entre outros; em livros, Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal — poemas de mar (2003), Matinta, o bruxo (romance, 2010), Histórias das minhas canções (2010) etc.; com suas letras participou de vários festivais de música, tendo recebido premiações por sua obra.