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(A
Anarquia)
Quando este amor fecundo e sem vaidade,
Fizer banir da Terra a hipocrisia,
Derrubando essa lei de iniqüidade
E o reinado feroz da burguesia.
Quando o povo não sofra de apatia
Quando existir de fato a sã verdade;
E forem Deus, Estado e Fidalguia
Anulados a bem da humanidade:
E quando se inaugure sobre a Terra
O programa genial da guerra à guerra
E unidos todos como irmãos leais;
Então no mundo existirá, perfeito
Um regime comum de mais respeito,
Para a junção de todos os mortais!
(jornal Liberdade, 2ª quinzena/5/1912, p. 2.)
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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923),
Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia
Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero,
São Paulo — SP; Adalberto Viana, ou Adalberto Vianna, foi poeta, barbeiro e
militante anarquista; nos relata Milton Lopes, no Emecê — Boletim do Núcleo de
Pesquisa Marques da Costa — Ano III, nº 10. Novembro de 2008:
‘... Adalberto Viana, barbeiro de profissão, juntamente com onze colegas, redigiu e assinou dois documentos publicados no jornal anarquista Spartacus em sua edição de 18 de outubro de 1919. Eram eles as Bases de Acordo e o Regulamento de Organização do que o jornal intitulava “Um Ensaio de Livre Organização do Trabalho”, que consistia na fundação de um salão para que aqueles profissionais, vítimas das perseguições dos patrões em função de recente greve da categoria pudessem trabalhar. No entanto, o Salão Liberdade, como foi designado por seus 12 fundadores, possuía características diferentes de todos os outros estabelecimentos do gênero. Segundo suas Bases de Acordo, todos os seus 12 fundadores e sócios fariam parte de seu conselho de administração, que se reuniria semanalmente para tratar de todas as questões referentes ao salão. O mesmo conselho, integrado por todos os participantes do Salão, elegeria um administrador, um tesoureiro e um escriturário (que deveriam todos ser trabalhadores do salão) cujas funções poderiam ser revogadas a qualquer momento. O administrador deveria prestar contas duas vezes por mês e toda féria diária entregue ao tesoureiro e depois de contada e conferida juntada à féria bruta, de onde sairia o retorno financeiro para os associados e para o próprio Salão. No Salão Liberdade, que se localizaria na rua José Maurício atual República do Líbano, 41) todo associado poderia retirar até 50 mil réis além do que havia produzido, sendo o dinheiro que sobrasse reinvestido no salão. Começando a trabalhar às 8 horas da manhã, os integrantes do Salão se comprometiam a pagar a seus componentes de acordo com o memorial de seu sindicato, a União dos Oficiais de Barbeiro, assim como a cumprir quaisquer resoluções daquele sindicato. Ressalvava-se que “em nenhum caso o Salão poderá pertencer a quem pretenda explorar com ordenados a outros barbeiros; isto é, a quem se proponha a ser patrão”.Os princípios autogestionários e de apoio mútuo que orientavam a criação do Salão Liberdade eram produto direto da maneira como os barbeiros anarquistas tiveram que se organizar para sobreviver durante a greve da categoria em 1919. A 02 de agosto de 1919 o Spartacus em sua coluna Ação Proletária noticiava a eclosão da greve dos barbeiros no dia anterior, cansados da exploração patronal, lutando por um salário razoável, participação proporcional nos lucros e abolição completa da gorjeta. “Como se vê — comentava o jornal — as pretensões dos oficiais barbeiros não se limitam a melhorias de ordem econômica, pois a abolição da humilhante gorjeta tem uma significação altamente moral”. No número seguinte o jornal comentava que os barbeiros grevistas estavam exercendo seu ofício nas sedes das associações operárias, tendo como fregueses os trabalhadores e, desta forma, também boicotando as barbearias que permaneciam abertas, furando a greve. ...’;
Edgar Rodrigues escreve em Os pedreiros da anarquia [VERVE:
Revista Semestral do NU-SOL — Núcleo de Sociabilidade Libertária/Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais,
PUC-SP. Nº 7 (maio 2005)]:
“... Conheci e soube de operários barbeiros, Amílcar dos Santos, Adalberto Viana (bom poeta libertário), Daniel Montalvão, Zacarias de Lima, e empregados do comércio: Adelino Tavares de Pinho, Antônio Duarte Candeias, Atílio Pessagno, Aquilino Massena, F.G. Sousa Passos (autor de vários opúsculos e deixou uma excelente obra inédita, O Sentido Artístico do Anarquismo). ...”;
Iara Aun Khoury,
historiadora, expõe no Texto/Documento A Poesia Anarquista, em Sociedade
& Cultura — Revista Brasileira de História — São Paulo, volume 8, Nº 15, setembro
de 1987/fevereiro de 1988 volume 8:
“... É agradável deparar com poesias de libertários famosos como Gigi Damiani, Neno Vasco, José Oiticica; [ . . . ]; é desafiante perceber Adalberto Viana, Albino Bastos, Raymundo Reis, Andrade Cadete exercendo atividades variadas e se pronunciando sobre assuntos diversificados, como expressão de uma única militância; ...”.
