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sexta-feira, 24 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 15, 28, 37, 52, 55 & 63

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15.
noite vinda
multidão de pirilampos reagem em cadeia
começam a piscar
sombras se vão

28.
recolheu-se
peso da idade lhe ia às costas
caramujo era caramujo ficou
tinha uma casa ao menos

37.
idoso caipira já não se acocorava
garimpou tripeça no antiquário
descartou divã

52.
escritor de autoajuda não enganava ninguém:
escrevia e lucrava muito

55.
grave erro não foi desdenhar futuro
querer voltar ao passado foi sua brutal falha

63.
quis rever o ferroviário Sales e seu gramofone
na Turma 29 do Bacelar buscou retrato na parede

[são paulo, jan/fev/mar de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 17, 18, 19, 20, 21 & 25

 
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17.
obsessivo observador de plantão
não olha pro próprio umbigo:
convive com uma hérnia que salta aos olhos
[gsf – sp, 09/2024]

18.
humorista não quis mais brincar com o humor
levava tudo a sério
perdeu a graça

19.
tantã não agia como biruta de aeroporto:
cata-vento em giro contrário viraria suástica

20.
vivia nas nuvens atrás de códigos-fonte
teórico de TI fuçava bannon musk
pentágono & cia

21.
morava no gúgol
cuca fundida arfante usava IA
esboçava minitextos sem inteligência criativa
respirava

25.
perseguia o passado
viciado em nomear tudo chamou isso saudade

[são paulo, fevereiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 6, 7, 8, 9 & 10

 
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6.
oriundo das trevas olimbo quis viver na sombra aluz lhe ofuscava
notempo quem sabe um dia se acostumasse à claridade
apesquisa porém foi peremptória: viver para olimbo nunca foi utopia

7.
agulha já havia encontrado
faltava o camelo escondido no monte de feno

8.
médico de plantão verte antídoto em mercado doentio
avia placebo pra males sem remédio

9.
assou castanhas na brasa
usou camaleão pra pinçá-las do fogo
ronron andava fugido

10.
em tom amarelo tomatinho quis virar vermelho consumiu muito adubo e foi devorado por ativista ecovegano

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 1, 2, 3, 4 & 5

 
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1.
preguiçoso queria escrever
treinou nos aforismos apreciou façanha se sentiu um bamba

2.
fez imersão nos livros
pra retomar fôlego emergiu com textículo grudado no vão da unha

3.
nónagarganta achava difícil engolir
papou farelo de palavras

4.
avesso a rococós
curtoegrosso coseu texto em linha reta e o disse a conta-gotas

5.
pingo é letra e ponto final

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

genésio dos santos: talvez não seja a vida só poesia

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1.
talvez um ronronar, gata no cio
um se enroscar em fios já tecidos
um desnudar de todos os vestidos
um galopar sem freios nem navios

talvez um se esgueirar em mar de espumas
quem sabe se esquivar dar um perdido
quedar-se quieto sem nenhum gemido
na noite noite que ora se avoluma

coser retalhos de tempos jazidos
partir pra Utopos que anda sempre à espera
longe de primaveras e de outonos

quem sabe penetrar no sem-sentido
talvez um sim, um não, talvez talvez
palavras vãs! talvez eterno sono

sp, 12 a 17.04.2025

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

domingo, 13 de outubro de 2024

genésio dos santos: poesia com os pés no chão

 
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Isso não é poesia que se escreva!
Glauco Mattoso, em Manifesto obsoneto.

não precisava ter vindo
com os pés no chão
sem causar tumulto

antes viesse
de ponta-cabeça
e mantivesse
as nuvens nos pés

sp, maio/outubro de 2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

domingo, 22 de setembro de 2024

genésio dos santos: homens de plantão

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o acumulador de dinheiros de plantão
não vê outra razão pra se conduzir na vida:
chafurda na sua arte e manha

*

o pastor de rebanhos de plantão
não faz novas profecias nem reinventa milagres:
inseguro do futuro vai com deus mesmo

*

de quepe no seu turno e coturno
o chefe militar de plantão edita duras ordens:
se bazucas não tiver não há quem dele discorde

*

verte antídotos em mercado doentio
o médico de plantão:
avia placebos pra males sem remédio

*

no velho circo sem lona nem público
cisma e olha pro céu o palhaço de plantão:
não ri da própria desgraça nem da de ninguém

*

com escola em ruína o professor de plantão
atém-se ao seu sacerdócio:
há alunos de sobra e metodologia incerta

*

sob aplausos da seleta e extasiada platéia
o prestidigitador de plantão vive sua ilusão:
desentorta garfos e tira coelhos da cartola

*

no trem em máquina lenta puxando seus vagões
o foguista de plantão bota fogo na fornalha:
pingado de suor acorda embaixo da cama

*

o construtor de algoritmos de plantão
destaca no empenho do seu engenho:
se tudo der errado foge pra plutão

*

o obsessivo observador de plantão
não olha pro próprio umbigo:
convive com uma hérnia que salta aos olhos

sp, setembro/2024
[este prosaema iniciado no último abril
por oragora é dado por concluído]

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ... 

domingo, 21 de julho de 2024

genésio dos santos: um poeta no poente

 
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um poeta no poente
expõe não-sei-lá-o-quê
pros passageiros de viagem

portas vão se fechando
enquanto a noite aponta
presentes em cada esquina 
sombras sustos sobressaltos
por onde o poeta passa

a noite não é inóspita
tão somente mostra face
que enorme sombra oculta
e luz do dia ofusca

a noite segue à espreita
pernas cambaleantes
perigam reais tropeços
no indecifrável obstáculo

algum ser que nos proteja
nalgum conforto possível:
domicílio e lareira
aquecem espaço
bruxuleante brasa alumia
cinzalaranjado
outoninverno

calorhumano protege
na hora desprotegida?

sp, julho de 2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

sexta-feira, 12 de julho de 2024

genésio dos santos: substantiva

 
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outrora
antes que chegasse
o tempo e a distância a diluíam

hoje
é célere
vem de bate-pronto

é substantiva
já não há dúvida
a olho nu se percebe

não há que agir
tal qual os três macaquinhos:
aqueles do não ouço, não vejo, não falo

por que o poeta
não a nomina?
que não se faça de sonso!

o atinge
dor sem causa alguma:
angústia corrói

sp, junho/julho de 2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

segunda-feira, 22 de abril de 2024

genésio dos santos: mudei eu ou mudou meu adestrador?


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não faz muito tempo
meu impulso era segredar a sete chaves ou mais
tudo o que a meu jugo só me dizia respeito

o que me era íntimo por vezes não era revelado nem pra mãe ou irmã
mais velha:
se as enxeridas invadissem o querido e confidente diário
era um berreiro só do guri não tagarela

hoje não: minha vida é um feicebuque escancarado
um tique-toque um instagram um xis
um ípsilon jamais incógnito

numa bolha no uatizap me devasso
protegendo-me de quem?
protegido por quem?

não me entendo
não reflito
nem me emendo

algoritmizado
mudei eu
ou mudou meu adestrador?

sp, 20.04.2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais...

sábado, 17 de fevereiro de 2024

matusalém da silva: "tropeçando em risca de ladrilho"


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Constatei-me velho desde o instante em que
me vi tropeçando em taco, em risca de ladrilho.
[Ziraldo, carthumorista].

sinto em mim sua presença
embora ausente põe limites no que faço
até controla o que penso
imagino-a à espreita
na curva do caminho

quando eu estiver bem velhinho
alquebrado com vista fraca ouvindo pouco
“tropeçando em risca de ladrilho”
é inevitável que venha

o ontem: acabou-se o que era doce
o instantâneo hoje: de modo algum traz amargor
o amanhã? deixemos pra depois...

sem pressa sem pressa...
não sou vidente mas ela vem
que assim seja

sp — 05.02.24
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matusalém da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

genésio dos santos: o espalhador de utopias

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carrego sonhos:
sinta-se à vontade
não há venda nem compra

faço trocas:
não aceito pix nem dinheiro nem cartão
sou da época do mutirão

demore quanto puder ou quiser:
pra certas escolhas
o tempo é o que menos importa

satisfação garantida:
bom proveito
ou seu sorriso ou sua lágrima de volta

sp, 02.02.2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

arterápico da silva: arthur bispo do rosário


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não fui interno
da juliano moreira

nem fui acompanhado
por nise da silveira

do artesão bispo do rosário
não trago a arte nem o calvário

sp  31.01.2024

Arthur Bispo do Rosário
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arterápico da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

genésio dos santos: dona bidunga *

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fazer poemas é tão necessário
quanto o era para a mãe esculpir
bolinhos de chuva ao fritá-los
em óleo de amendoim ou óleo de algodão
ou banha de porco
naquele outrora

quem sabe
assim desenhasse o poeta
guri nos seus sete anos
enquanto devorava os bolinhos
e folheava a cartilha do tatu
cheia de letras e gravuras

de calças curtas,
ele só não tinha como imaginar
que lá no futuro iria escrever um poema
pra dona bidunga,
apelido de saturnina de almeida fagundes,
autora da cartilha.

sp, 24.12.2023


*Nota deste Verso e Conversa: O poema Dona Bidunga foi ideado em algum momento desde outubro de 2020, mês em que este ex-guri e aprendiz de blogueiro, filho de ferroviário, pesquisador e poeta, buscou e adquiriu em sebo um exemplar da Cartilha do Tatu — Caderno de Alfabetização, de Saturnina de Almeida Fagundes, a Dona Bidunga; tal cartilha, impressa nas gráficas da EFS — Estrada de Ferro Sorocabana, propiciou ao poeta um primeiro contato escolar com letras e gravuras, contato esse ocorrido em 1959, no início do então curso primário na Escola Rural da Estação, Vila Isabel, em Itapeva — SP.
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — caderno de alfabetização, de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

genésio dos santos: elogio ao puta-que-o-pariu & outros poemas


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elogio ao puta-que-o-pariu

na poesia há que ter espaço para xingamentos e sinônimos.
não por recomendação dos cânones mas porque o poeta assim o quer.
há momentos hediondos durante os quais já não adianta mais burilar o
verso.
é tascar logo um puta-que-o-pariu e permanecer à espreita de que
disso ocorra algum resultado...
talvez o verso dê um sacolejo, se aprume e siga seu destino.

já não importa agora se ele (o verso) é bom ou ruim, se útil ou inútil;
se for necessário, que se escafeda do dicionário, esse sarcófago
aprisionador de palavras,
que rompa essa maldita bolha e não se limite tão somente ao uso e
ao desuso humano.

são paulo, 2023

o

lichia

lichia
lascívia
luxúria

morango manga já não explicam nada
além do sabor próprio e peculiar
já não carregam os prazeres exóticos
de sexualizada libidinagem

são paulo, 2023

o

não quero tirar férias de mim

na real eu quero tirar férias de mim
[jaque alves, em corpor’ação 
pilares: raízes espelhadas]

não quero tirar férias de mim
se isso eu fizer, sucumbo
aí já não serei eu, mas outro qualquer outro

e deixando de ser eu, já não me vale a pena a existência
cansado ou não minha meta é prosseguir
para onde não sei

caminhar... caminhar...

são paulo, 2023

o

metapoesia onde [melhor] lhe aprouver

metapoesia onde lhe aprouver
antes porém tente compreendê-la
pra quê ela surge quando surge se é que surge...

e quando vai embora vai a fim de quê?
o que planeja? o que sonha?
deixa saudades em quem não vai com ela...

e quem não foi com ela,
se optou por ficar no solo na multidão
que outras artes e manhas o acompanham neste enredo?

são paulo, 2023

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

genésio dos santos: ambígua idade

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caminho partes partidas
parte de mim se esvai
outra parte permanece
partes que se coabitam
cultivo a que se mantém
escapo da que se vai

ardor tumulto enxurrada
êxtase langor placidez
vida viceja em ambas
da parte que permanece
revolvo constantemente
viço lição semente

da parte que apodrece
reciclo-a como adubo
pra futuras gerações
esta parte presunçosa
parece querer dizer
sem ela o todo perece

sobreviverá nos livros?
guiará desorientados
para além do diz-que-diz-que
da lembrança familiar?

da outra parte, silêncio 
faz de conta que não ouve
faz de conta que é conforme
faz de conta que se ajeita

pedaços que já não colam
rodeiam feito satélites
num corpo que se faz uno
mas sabe que são só cacos
unidos em uma gosma
a que hoje chamamos vida

e a parte presunçosa
que ora mira o futuro
aos poucos se esfumaça 
os olhos já não dão conta
o olfato já não dá conta
o tato já não dá conta
o corpo já não dá conta

e o todo, sem se dar conta,
insiste em querer sentir
insiste em querer pensar
insiste em querer propor
insiste em querer viver

o faro já não dá conta
o instinto já não dá conta...

contemplativo e silente
num presente sem urgências
partilho partes partidas

(2019—2023)

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...