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elogio ao puta-que-o-pariu
na poesia há que ter espaço para xingamentos e sinônimos.
não por recomendação dos cânones mas porque o poeta assim o quer.
há momentos hediondos durante os quais já não adianta mais burilar o
verso.
é tascar logo um puta-que-o-pariu e permanecer à espreita de que
disso ocorra algum resultado...
talvez o verso dê um sacolejo, se aprume e siga seu destino.
já não importa agora se ele (o verso) é bom ou ruim, se útil ou inútil;
se for necessário, que se escafeda do dicionário, esse sarcófago
aprisionador de palavras,
que rompa essa maldita bolha e não se limite tão somente ao uso e
ao desuso humano.
são paulo, 2023
— o —
lichia
lichia
lascívia
luxúria
morango manga já não explicam nada
além do sabor próprio e peculiar
já não carregam os prazeres exóticos
de sexualizada libidinagem
são paulo, 2023
— o —
não quero tirar férias de mim
“na real eu quero tirar férias de mim”
[jaque alves, em corpor’ação —
pilares: raízes espelhadas]
não quero tirar férias de mim
se isso eu fizer, sucumbo
aí já não serei eu, mas outro qualquer outro
e deixando de ser eu, já não me vale a pena a existência
cansado ou não minha meta é prosseguir
para onde não sei
caminhar... caminhar...
são paulo, 2023
— o —
metapoesia
onde [melhor] lhe aprouver
metapoesia onde lhe aprouver
antes porém tente
compreendê-la
pra quê ela surge quando surge
se é que surge...
e quando vai embora vai a fim
de quê?
o que planeja? o que sonha?
deixa saudades em quem não vai
com ela...
e quem não foi com ela,
se optou por ficar no solo na multidão
que outras artes e manhas
o acompanham neste enredo?
são paulo, 2023
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genésio dos santos ferreira, nascido
em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista
da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina
de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria,
noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro,
labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário,
hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias,
1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu
crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque
(do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 — 1985) e pilotou o devezenquandário na moita
(1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são
paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos
e que tais ...