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[traduzido por Augusto de Campos]
Esta noite eu não vim vencer teu
corpo, harpia,
Vórtice do pecado, ou cevar no
desejo
Dos teus cabelos vis um lívido
lampejo,
Sob o tédio sem fim que o beijo
prenuncia.
Só demando ao teu leito o sono em
que tu estiras,
Sob as cortinas do remorso
reclinada,
E que podes gozar após tantas
mentiras,
Tu que ainda sabes mais que os
mortos sobre o nada.
Pois o Vício a roer minha nata
nobreza
A ti e a mim marcou-nos de
esterilidade,
Mas se teu seio tem tão pétrea
natureza
No coração que dente algum do crime
o invade,
Eu fujo em meus lençóis, hirto, sem
cor, sem voz,
Com medo de morrer quando me deito
a sós.
Angoisse
Je ne viens pas ce soir vaincre ton corps, ô bête
En qui vont les péchés d'un peuple, ni creuser
Dans tes cheveux impurs une triste tempête
Sous l'incurable ennui que verse mon baiser:
Je demande à ton lit le lourd sommeil sans songes
Planant sous les rideaux inconnus du remords,
Et que tu peux goûter après tes noirs mensonges,
Toi qui sur le néant en sais plus que les morts.
Car le Vice, rongeant ma native noblesse
M'a comme toi marqué de sa stérilité,
Mais tandis que ton sein de pierre est habite
Par un coeur que la dent d'aucun crime ne blesse,
Je fuis, pâle, défait, hanté par mon linceul,
Ayant peur de mourir lorsque je couche seul.
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poesia da
recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção, Tradução, Traços Biobibliográficos
e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo 42, 2006, Editora Perspectiva,
São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 — 1898) ou Étienne Mallarmé, francês nascido
em Paris, foi poeta, tradutor, crítico literário e professor de inglês; considerado
como um dos primeiros simbolistas franceses e um dos precursores da poesia concreta,
consta que seus primeiros poemas surgiram na década de 1860 e que, como boa parte
dos poetas de sua geração, também sofrera influência de Charles Baudelaire; Mallarmé
é tido, durante os anos de 1880, como sendo a figura central de um grupo de escritores
com quem discutia poesia e arte, entre os quais Paul Valéry, André Gide e Marcel
Proust; fundou a revista Última Moda, onde escreveu sobre estética literária, colaborou
no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou na revista Cosmopolis; escreveu Herodíade
(Herodíades, 1869), L'Aprés-midi d'un faune (A tarde de um fauno, 1876), Un coup
de dés jamais n'abolira Le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso, 1897)
e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope e James
Whistler.





















