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Improvisou estudos de finança,
galgara alto cargo na fazenda...
armara bravamente a sua tenda,
gozando do governo a confiança...
Metera os pés p’las mãos com
segurança,
fizera do tesouro uma fazenda...
esbanjando o dinheiro com pujança,
com prodigalidade sem ter renda...
Como nédio muar extravasara
inutilmente os cofres, que
coragem...
alegando que gentes amparava!...
Sei, de fonte segura, que
lançara...
em prática o dinheiro à agiotagem,
amparando os amigos que lesara!...
[19]46 Rio
(A. Luso)
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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos
— Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis
— SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 — 1955), catarinense de Desterro,
atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na
cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e
também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs
para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida
boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem
reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos
O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa
Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918)
e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952)
foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan
Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito
poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense
de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização
de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização
de Zilma Gesser Nunes (2008).
* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes:
o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do
Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas
pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel
“de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que
Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A.
Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos,
a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda
Trigueiros, além de Rictus da Cruz.