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quinta-feira, 10 de março de 2016

Noel de Arriaga: Deslumbramento

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Quando num labirinto andei perdido,
labirinto de sonhos e esperanças,
uma voz segredava-me ao ouvido:
 "O amor é belo enquanto o não alcanças,

Não tenhas pressa que depressa cansas

do que mais hás-de ter apetecido".
Receoso de colher desesperanças,
não tocava no fruto proibido.

Porém quando a distância se faz perto,
tornando certo quanto fora incerto,
e a cingir-te em meus braços me disponho,

quando da realidade me avizinho
e do sonho me afasto eu adivinho
que a realidade excede o próprio sonho!
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Noel de Arriaga, nascido em 1918, português de Praia da Aguda, distrito do Porto, formado pela Faculdade de Direito de Lisboa; especialista em turismo, dedicado em literatura infantil, teatrólogo e poeta, traz em sua bibliografia As Aventuras de Zé Caracol (infanto-juvenil, 1954), Barco sem leme (poesia, 1957), A noite é cúmplice (poesia, 1962), Sol sobre o pecado (teatro, 1969), A canção que o vento me trouxe (poesia, 1970), Pecados breves, breves recados (poesia, 1980), O povo é quem mais perdoa (poemas, 1985) e outros; consta em sua biografia ter fixado residência no Rio de Janeiro.