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[traduzido por Regina
Przybycien e Gabriel Borowski]
Te agradeço, coração meu,
por não se queixar, por se
afanar
sem elogios, sem recompensa,
num desvio inato.
Você tem setenta méritos por
minuto.
Cada contração tua
é como o lançar de uma canoa
no mar aberto
numa viagem ao redor do mundo.
Te agradeço, coração meu,
porque sem cessar
você me retira do todo,
separada até no sonho.
Você cuida para que eu não
sonhe demais
com o voo
para o qual não é preciso ter
asas.
Te agradeço, coração meu,
por eu ter acordado de novo
e embora seja domingo,
dia de descanso,
sob as costelas
você seguir o ritmo normal da
semana.
(Muito Divertido — 1967)
Do
serca w niedzielę
Dziękuję ci, serce moje,
że nie marudzisz, że się
uwijasz,
bez pochlebstw, bez nagrody,
z wrodzonej pilności.
Masz siedemdziesiąt zasług na
minutę.
Każdy twój skurcz
jest jak zepchnięcie łodzi
na pełne morze
w podróż dookoła świata.
Dziękuję ci, serce moje,
że raz po raz
wyjmujesz mnie z całości
nawet we śnie osobną.
Dbasz, żebym nie prześniła się
na wylot.
na wylot,
do którego skrzydeł nie
potrzeba.
Dziękuję ci, serce moje,
że obudziłam się znowu
i chociaż jest niedziela,
dzień odpoczywania,
pod żebrami
trwa zwykły przedświąteczny ruch.
(Sto pociech — 1967)
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Wislawa Szymborska [para o meu coração num
domingo], Seleção, Tradução e Prefácio de Regina Przybycien e Gabriel Borowski, edição bilíngue,
1ª edição, 2020, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Maria Wislawa Anna
Szymborska (1923 — 2012), polonesa de Kórnik,
fez seus estudos escolares iniciais em Toruń, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, prosseguiu nos estudos de
forma clandestina e passou a trabalhar em uma ferrovia, o que a livrou de ser
deportada para território nazista, ora ocupado pelo Terceiro Reich, foi poeta,
crítica literária e tradutora; assim, Wislawa deu início a seu processo
criativo: fez suas primeiras ilustrações para livros (um manual para estudar
inglês) e iniciou-se na literatura, com alguns contos e poemas; em 1945, com o
fim da guerra, já em Cracóvia, a poeta foi parte importante na vida literária
local, participou do grupo literário Ao Contrário, deu início ao curso de
Filologia Polaca na Universidade Jaguelônica, depois mudou para Sociologia,
desistiu dos estudos, casou, divorciou, colaborou com a revista Kultura (de
literatura e política, publicada em Paris por emigrantes polacos), foi membro
do Partido Comunista; suas obras: Wolanie do Yeti (Chamando pelo Yeti, 1957),
Sól (Sal, 1962), Sto pociech (Muito divertido, 1967), Wszelki wypadek (Todo o
caso, 1972), Wielka liczba (Um grande número, 1976), Ludzie na moście
(Gente na ponte, 1986), Koniec i początek (Fim e começo, 1993), Chwila
(Instante, 2002), Rymowanki dla dużych dzieci (Riminhas para crianças grandes, 2005),
Dwukropek (Dois pontos, 2006), Tutaj (Aqui, 2009), Wystarczy (Chega, 2012) ...;
seus livros foram
traduzidos para 36 línguas, sendo a poeta polonesa que mais recebeu traduções
no exterior; premiações: Prêmio Goethe (1991), Prêmio Nobel de Literatura
(1996) e Prêmio Niki de Literatura (2006).