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[traduzido por Almeida Cousin]
Festivos, vinho em taças cheias
Bebendo, alcemos libações
A Baco, amigo das coréias
E desejoso de canções!
De Eros constante companheiro,
Que à Citeréia traz ardores
E provém dele esses vapores
Da volutuosa embriaguez...
Nascem-lhe as Graças no roteiro;
Por ele a dor se esvai nos ares;
Vão-se as tristezas e pesares
E a angústia aquieta, de uma vez!...
Quando, no vaso de dois cornos,
O que beber moços me trazem,
Em fuga as ânsias se me esfazem,
Como procela aos vendavais...
Tomemos, pois, nos dedos mornos
A taça — e fujam-nos cuidados!
Terás proveito ou resultados
Se do teu mal te queixa mais?
Donde te vem tão falso intento?!
Pois, se não há conhecimento
Do seu porvir, pelos mortais...
Prefiro, então, nas danças ir-me
Bêbedo e alegre; divertir-me
Junto às mulheres e ao carinho
Me abandonar, das seduções... *
Molestas penas e canseira,
Para si tome-as quem as queira!...
Festivos, nós, bebendo vinho,
A Baco entoemos as canções!...
[ΑΝΑΚΡΕΟΝΤΟΣ ΤΗΙΟΥ ΣΥΜΠΟΣΙΑΚΑ]
ΕΙΣ ΣΥΜΠΟΣΙΟΝ
ἱλαροὶ πίωμεν οἶνον,
ἀναμέλψομεν δὲ Βάκχον,
τὸν ἐφευρετὰν χορείας,
τὸν ὅλας ποθοῦντα μολπάς,
τὸν ὁμότροπον Ἐρώτων,
τὸν ἐρώμενον Κυθήρης,
δι’ ὃν ἡ Μέθη λοχεύθη,
δι’ ὃν ἡ Χάρις ἐτέχθη,
δι’ ὃν ἀμπαύεται Λύπα,
δι’ ὃν εὐνάζετ’ Ἀνία.
τὸ μὲν οὖν πῶμα κερασθὲν
ἁπαλοὶ φέρουσι παῖδες,
τὸ δ’ ἄχος πέφευγε μιχθὲν
ἀνεμοτρόφῳ θυέλλῃ.
τὸ μὲν οὖν πῶμα λάβωμεν,
τὰς δὲ φροντίδας μεθῶμεν·
τί γάρ ἐστί σοι <τὸ> κέρδος
ὀδυνωμένῳ μερίμναις;
πόθεν οἴδαμεν τὸ μέλλον;
ὁ βίος βροτοῖς ἄδηλος·
μεθύων θέλω χορεύειν,
μεμυρισμένος τε παίζειν . . .
μετὰ καὶ καλῶν γυναικῶν.
μελέτω δὲ τοῖς θέλουσι
ὅσον ἐστὶν ἐν μερίμναις.
ἱλαροὶ πίωμεν οἶνον,
ἀναμέλψομεν δὲ Βάκχον.
* Nota deste Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de
blogueiro desta página deixa registrado que, no “Prefácio
da Primeira Edição” deste Odes de Anacreonte..., o tradutor Almeida Cousin relata o seguinte:
“Sempre, porém, que aconteceu intercalar, por nossa conta, um verso inteiro, sem relação com o texto, tivemos o cuidado de marcá-lo com um asterisco (*) à margem, [...] Dispensamos entretanto o sinal (*), quando algum verso, aparentemente estranho, resulta do desdobramento de alguma idéia contida em gérmen por qualquer expressão do texto.”
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Odes de Anacreonte [Anacreônteas] e suas Traduções — Almeida
Cousin, Prefácios [da 1ª e 4ª edições], Tradução e Notas de [José Coelho de] Almeida
Cousin, edição bilíngüe, 1982, 4ª edição, Editora Achiamé — Rio de Janeiro — RJ;
Anacreonte (570 a.C. ? — 488 a.C. ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia
Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros
de poemas — odes, epigramas, canções, elegias, etc. — dos quais só nos é dado conhecer
tão somente fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram
de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação
atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte; pelo prefaciador
e tradutor Almeida Cousin também ficamos sabendo que há críticos modernos que consideram
como sendo de origem apócrifa toda a coletânea das Odes Anacreônticas.
