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As
almas, como as flores, no lugar
Em que viveram deixam, longamente,
Sua íntima essência errando no ar,
Numa vaga fluidez reminiscente...
Vede
essas velhas casas que, a passar
Pelos olhos do tempo indiferente,
Foram o sereníssimo ambiente
De uma longa história familiar!...
Há no seu gênio obscuro, misteriosas
Influências
humanas, insensíveis
Contágios de alma que não percebemos,
Frias fatalidades traiçoeiras
Adormecidas no silêncio antigo...
Exalam do segredo das entranhas
Forças sutis e sugestões estranhas
Que nos descem ao fundo dos sentidos
E se vão infiltrando, lentamente,
Na alma dos visitantes distraídos...
Ao lhes transpormos as sombrias portas,
Nunca sabemos o que nos espera
Nesses tristes jardins de sombras mortas
— Fantasmas de uma antiga primavera...
Dentro
tudo morreu... mas, presa a um fio
Intangível,
Uma vida fantástica, invisível
Vive em essência no ar sonâmbulo e vazio...
As almas, como flores, no lugar
Em que viveram deixam, longamente,
A sua exalação errando no ar,
Numa vaga fluidez reminiscente...
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Antologia de
Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de
Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de
Janeiro — RJ; Raul de Leôni (1895 — 1926), nascido em Petrópolis — RJ, formou-se
em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro,
foi diplomata e poeta; em 1914 iniciou sua colaboração literária em revistas (Fon-Fon
e Para Todos) e jornais cariocas (Jornal do Brasil, Jornal do Comércio, O Jornal
e O Dia); suas obras: Ode a Um Poeta Morto (1919) e Luz Mediterrânea (1922);
parte de sua obra em prosa, artigos de interesse literário, ficou dispersa em
periódicos da época.








