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[paráfrase de Cendrars, por Prudente de Moraes, Neto]
Quando amares, vai-te embora,
toma o trem, toma o avião,
o auto, o vapor, dá o fora,
pisa, rasga o coração.
Suspira, chora, aborrece-te,
assobia, dança, embriaga-te
e se a morte um dia afaga-te,
verás, teu amor esquece-te.
Um ano, um dia, uma hora...
Quando amares vai-te embora,
sossega esse coração.
Quando amares vai-te embora
por esse mundo de Deus.
Vai sem destino, que agora
não saibam os passos teus
onde conduzir-te. A esmo
sem hora, sem rumo, à toa
companheiros de ti mesmo
verás que a vida ainda é boa.
Vai, anda, parte, dá o fora
Vai, anda, parte, dá o fora
quando amares vai-te embora
domina o teu coração.
Quando amares vai-te embora
por este mundo sem fim!
Faz como eu farei agora,
não volto mais, ai de mim!
Tu
es plus belle que le ciel et la mer
Quand tu aimes il faut partir
Quitte ta femme quitte ton
enfant
Quitte ton ami quitte ton amie
Quitte ton amante quitte ton
amant
Quand tu aimes il faut partir
Le monde est plein de nègres
et de négresses
Des femmes des hommes des
hommes des femmes
Regarde les beaux magasins
Ce fiacre cet homme cette
femme ce fiacre
Et toutes les belles
marchandises
Il y a l'air il y a le vent
Les montagnes l'eau le ciel la
terre
Les enfants les animaux
Les plantes et le charbon de
terre
Apprends à vendre à acheter à
Donne prends donne prends
Quand tu aimes il faut savoir
Chanter courir manger boire
Siffler
Et apprendre à travailler
Quand tu aimes il faut partir
Ne larmoie pas en souriant
Ne te niche pas entre deux
seins
Respire marche pars va-t-en
Je prends mon bain et je
regarde
Je vois la bouche que je
connais
La main la jambé
Le l'œil
Je prends mon bain et je
regarde
Le monde entier est toujours
là
La vie pleine de choses
surprenantes
Je sors de la pharmacie
Je descends juste de la bascule
Je pèse mes 80 kilos
Je t'aime
[Feuilles de route, 1924]
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da
Poesia da França, por R. Magalhães Jr., sem data, Ediouro — Clássicos de bolso,
Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Blaise Cendrars (1887 — 1961), pseudônimo
literário de Frédéric Louis Sauser, franco-suíço nascido em La Chaux-de-Fonds, Suiça,
iniciou faculdade de Medicina, em Berna, mas interrompeu seus estudos, foi romancista
e poeta, considerado uma das principais figuras do movimento modernista francês;
em 1912, em Paris, foi cofundador da editora e revista literária Les Hommes nouvelles,
na qual passou a editar e publicar seus poemas e textos de outros autorias: conheceu
Apollinaire, Delaunay, Chagall e Modigliani; em 1915, juntou-se à Legião Estrangeira,
lutou na primeira grande guerra, foi gravemente ferido na mão direita, em rajada
de metralhadora, e teve o braço amputado logo abaixo do cotovelo; o poeta aprendeu
a escrever com a mão esquerda; viajou pelos Estados Unidos, pela América do Sul
e, conhecedor de várias línguas, traduziu para o francês autores ingleses, alemães,
portugueses e brasileiros; produziu relatos de viagem e foi colaborador em muitas
revistas e jornais literários; em 1939, na segunda guerra, tornou-se correspondente
do exército inglês; suas obras: Les Pâques à New York (poemas, 1912), Sèquences
(poemas, 1913), Prose du Transsibérien et de la petite Jeanne de France (1913),
La Guerre au Luxembourg (1916), I Killed (poemas, 1918), Dix-neuf poèmes élastiques
(1919), Feuilles de route (poemas, 1924), L’Or. La merveilleuse histoire du général
Johann August Suter (novela, 1925), Moravagine
(romance surrealista, 1926), Petits Contes nègres pour les enfants des Blancs (1928),
L’Homme foudroyé e Le Main coupée (ambas, autobiografias de experiências da guerra,
1945 e 1946), Bourlinguer e Le Lotissement du ciel (ambas, memórias, 1948 e 1949)
etc.; quando esteve no Brasil, em 1924, o poeta conheceu os modernistas Oswald de
Andrade, Mario de Andrade e Sérgio Milliet, foi por eles influenciado e também os
influenciou; Blaise Cendrars, que se naturalizara francês e recebera a cidadania
ainda em 1916, recebeu sua única láurea por suas obras, o Grand Prix Littéraire
de la Ville de Paris, em 1961, um pouco antes de morrer.

