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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

José Oiticica: A Anarquia

Resultado de imagem para Os Libertários (José Oiticica, Maria Lacerda de Moura, Neno Vasco e Fábio Luz), Edgar Rodrigues, 1993
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Para a anarquia vai a humanidade
Que da anarquia a humanidade vem!
Vide como esse ideal do acordo invade
As classes todas pelo mundo além!

Que importa que a fração dos ricos brade
Vendo que a antiga lei não se mantém?
Hão de ruir as muralhas da Cidade,
Que não há fortalezas contra o bem

Façam da ação dos subversivos crime,
Persigam, matem, zombem... tudo em vão...
A idéia, perseguida, é mais sublime,

Pois nos rudes ataques à opressão,
A cada herói que morra ou desanime
Dezenas de outros bravos surgirão.

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Os Libertários (José Oiticica, Maria Lacerda de Moura, Neno Vasco e Fábio Luz), Edgar Rodrigues, 1993, VJR Editores Associados, Rio de Janeiro  RJ; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882  1957), mineiro de Oliveira,  fez seus primeiros estudos em Maceió —  AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, Livre Pensador, A Plebe, e a revista A Vida; obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série  (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955), e outros títulos.