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Alta, contra
os grandes ventos,
Leve, a
resistir ao rio,
Firmes,
os pés e braços lentos
Pelo
horizonte vazio.
Na espuma
o sol fulgurava.
Ela,
também sol e espuma,
Ora
andava, ora voava,
Mas não
tinha asa nenhuma.
Alta,
presa por um fio
— Um fio
só de cabelo —,
O sol a
secá-lo, e o rio
Amoroso a
umedecê-lo;
Alta e
leve, clara e firme,
Irreal
nos movimentos,
Via-a
subir e fugir-me,
Levada
dos grandes ventos.
(Entre
Mar e Rio, Lisboa: Editora
Livros do Brasil, 1952.)
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Ribeiro Couto,
por Elvia Bezerra — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, 2010, Imprensa
Oficial do Estado, São Paulo — SP; Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (1898
— 1963), paulista de Santos, cursou a Escola de Comércio José Bonifácio dessa
cidade, estudou na Faculdade de Direito de São Paulo (USP — Largo São Francisco)
e na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, onde
bacharelou-se, foi jornalista, magistrado, promotor público, diplomata, poeta, contista
e romancista; trabalhou/colaborou nos periódicos Jornal do Commercio e Correio Paulistano,
em São Paulo, Gazeta de Notícias, Jornal do Brasil e O Globo, no Rio de Janeiro,
A Província, em Pernambuco, e em outros periódicos; suas obras: em poesia: O Jardim
das confidências (1921), Poemetos de ternura e de melancolia (1924), Um homem na
multidão (1926), Canções de amor (1930), Noroeste e outros poemas do Brasil (1932),
Cancioneiro de Dom Alfonso (1939), Cancioneiro do ausente (1943), Rive etrangère
(1951), Entre Mar e Rio (1952), Le jour est long (O dia é longo, 1958), Longe
(1961) ...; em prosa: A casa do gato cinzento (contos, 1922), O crime do estudante
Batista (contos, 1922), A cidade do vício e da graça (crônicas, 1924), Baianinha
e outras mulheres (contos, 1927), Cabocla (romance, 1931), Presença de Santa Terezinha
(ensaio, 1934), Conversa inocente (crônicas, 1935), Prima Belinha (romance, 1940),
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960), Histórias de Cidade Grande — contos
escolhidos (1960), Sentimento lusitano (ensaio, 1961), entre outros títulos; participou da Semana de Arte Moderna;
seu romance Cabocla foi adaptado para televisão; escreveu poemas em francês, o livro Le
jour est long (O dia é longo); pertenceu à Academia Brasileira de Letras; como diplomata,
atuou na França, em Portugal, Holanda e Iugoslávia, neste país, foi embaixador
e ali se aposentou.
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