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domingo, 13 de dezembro de 2020

Furnandes Albaralhão: Circuito biciado *

 
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Ao mó culéga Machado d’Assis

"Guiando um vonde, g’mia inquieto maturnâiro
Ah! Si eu fosse u fiscale aqui dessa meléca...
De prazeire, nain sai... tumaba uma quiméca..."
Mas u fiscale ulhando u vurro du dinheiro

du chefe du iscritório: "Imbejo-te, parçâiro,
Se eu fosse como tu, câ farra! Câ panquéca!
Cumia tanto, qui rivintaba a cuéca!"
Mas u chefe a fitaire a pança de bendâiro

du supirintendente: "Eu não ser mais maióre,
não têre o que tu tains! Não têre u teu dinhâiro!..."
I u supirintendente a limpare o suóre:

"Iscrêbo como um vurro! É a noute! É u dia intâiro!
Entra sóle, sai sóle! Não há coisa pióre!
Ah! Câim déra qui eu fosse um simples maturnâiro!"


* Nota deste Verso e Conversa: Para efeito de comparação, este atrevido aprendiz de blogueiro transcreve o soneto que deu origem à paródia: Círculo vicioso: Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume: / "Quem me dera que fosse aquela loura estrela, / que arde no eterno azul, como uma eterna vela!" / Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: // — "Pudesse eu copiar o transparente lume, / que, da grega coluna à gótica janela, / contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!" / Mas a lua, fitando o sol, com azedume: // — "Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela / claridade imortal, que toda a luz resume!" / Mas o sol, inclinando a rútila capela: // — "Pesa-me esta brilhante auréola de nume... / Enfara-me esta azul e desmedida umbela... / Por que não nasci um simples vagalume?...” (Machado de Assis)
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Furnandes Albaralhão, pseudônimo de Horácio Mendes Campos (1902 1964), fluminense e carioca, foi poeta satírico e de paródias, escritor, libretista de teatro de revistas, violonista e compositor; publicou o livro de humor Caldo Berde (1ª edição impressa em 1930), no qual apresenta sátiras, paródias de sonetos famosos e pensamentos com linguagem macarrônica, bem à moda do pré-modernista Juó Bananére; Horácio Campos foi um dos muitos colaboradores quase ignorados de uma das várias fases de A Manha, jornal humorístico e satírico do Barão de Itararé — o Aporelly; ao autor de Caldo Berde coube cuidar, com muita arte, do suplemento lusitano de A Manha, escrevendo paródias de poetas portugueses e brasileiros e composições de sua inteira inspiração; trechos de seu livro foram republicados na revista A Pomba (década de 60).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Furnandes Albaralhão: Soneto Crássico


Furnandes Albaralhão
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[Ao Quemões]

Cáin diz qu'um kilo d'algodão é mesma
 coisa qu'um kilo de chumvo, nunca biu
 Arithmetica ou sciencias adjacentes.
Varão De Saabedra

Sete anos de queixeiro o Zé sirbia
Na benda du Jaquim, um lusitano
Mas num era u Jaquim, que ele quiria,
Era u dinhâiro dele! Que magano!

Anos e anos na espr'ança de um só ano,
Passaba e a vurra nunca averta bia
U Jaquim, nuguciante suburvano,
Do queixeiro, talvez, se precabia.

Bendo u Zé que u patrão, impirtinente,
Nunca lhe disse a iele: A "vurra é bossa!"
Nunca a honra lhe fez de tal cumbite,

Cuntinuou sirbindo-o vrandamente
Dizendo: "E sirbirei até que possa
Pingar-lhe u covre todo e dáre u suite!"
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Caldo Berde  Furnandes Albaralhão, 2ª edição, 1931; Furnandes Albaralhão, nascido Horácio Mendes Campos (1902 ant.1964), publicou o livro de humor Caldo Berde no qual apresenta sátiras, paródias de sonetos famosos e pensamentos com linguagem macarrônica, bem à moda do pré-modernista Juó Bananére; Horácio Campos foi um dos muitos colaboradores quase ignorados de uma das várias fases d'A Manha, jornal humorístico e satírico do Barão de Itararé o Aporelly; ao autor de Caldo Berde coube cuidar, com muita arte, do 'Suplemento Lusitano' de A Manha, escrevendo paródias de poetas portugueses e brasileiros e composições de sua inteira inspiração; é o que nos informa Raimundo Magalhães Junior em sua Antologia de Humorismo e Sátira (Editora Civilização Brasileira, 1957, pág. 309); Caldo Berde teve sua 1ª edição impressa em 1930.

Furnandes Albaralhão: Ubire As Istrellas

Furnandes Albaralhão
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(A Ulabo Vilaque)

A instrunumia é uma sciencia aerea
 que estuda as rilações internacionaes
 entre os planetas e os similhantes.
 Giniral Gramona

 "Ora, dirâis, ubire estrella... Passo!
"Num póde sêre!" E eu bus dirâi: "Afflicto
"para ubí-las, accórdo, olho p'ru ispaçu,
"tiro a cêra d'ubido com um palito,

"i cumbirsamos, digo-lhe e rupito,
"até que rompe a uróra. Ahi, que eu faço?
"Bou miter-me na cama, quensadito,
"com uma dôre infadónha nu queichaço.

Dirâis, agora: "Isso é tapiação!
"Cumu é que pódes tal cumbersa têre
"cu'as istrillitas que tão longe estão?

E eu bus dirâi: "Amâi uma quechópa
"váim nutrida, succada e habeis de bêre
"e ubire istrellas de pagóde! É sópa!
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Caldo Berde Furnandes Albaralhão (2ª edição, 1931); Furnandes Albaralhão, nascido Horácio Mendes Campos (1902 ant.1964), publicou o livro de humor Caldo Berde no qual apresenta sátiras, paródias de sonetos famosos e pensamentos com linguagem macarrônica, bem à moda do pré-modernista Juó Bananére; Horácio Campos foi um dos muitos colaboradores quase ignorados de uma das várias fases de A Manha, jornal humorístico e satírico do Barão de Itararé o Aporelly; ao autor de Caldo Berde coube cuidar, com muita arte, do Suplemento Lusitano de A Manha, escrevendo paródias de poetas portugueses e brasileiros e composições de sua inteira inspiração; é o que nos informa Raimundo Magalhães Junior em sua Antologia de Humorismo e Sátira (Editora Civilização Brasileira, 1957, pág. 309); Caldo Berde teve sua 1ª edição impressa em 1930.