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Não volto mais! Irei por
este mundo escuro
em busca de outro amor, de
outra afeição mais nobre.
Adeus! Levo somente a lira
e a cruz de pobre,
mas Deus me ajudará na
estrada do futuro.
Levante-se minha alma e,
rútila, desdobre
as asas da esperança. Eu
parto... eu me aventuro
no vasto mar da vida. A
estrela que procuro
verei brilhar um dia,
embora além sossobre!
Porém, se a rosa branca e
pulcra de meus sonhos
fanar-se no embrião, e a
morte compassiva
finalmente acabar meus
dias enfadonhos,
tu não finjas a dor de uma
alma sensitiva,
não! Respeita a mudez dos
túmulos tristonhos...
Ai! Não finjas à morta o
que fingiste à viva!
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros
sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos
S/A, Rio de Janeiro — RJ; Áurea Pires da Gama (1876 — 1949), fluminense de Angra
dos Reis, fez seus primeiros estudos em Minas Gerais e os concluiu no Rio de Janeiro,
foi poetisa e professora; aos 14 anos escreveu o soneto Impossível, publicado no
jornal O Astro, de Barbacena — MG; a partir de 1906 fixou residência em Cruzeiro
— SP, ali foi cofundadora do Externato Cruzeiro e passou a dedicar-se ao magistério;
suas obras: Flocos de Neve (1896), Indiana (1902), Pétalas (1908), Paquetá (1919)
e Entre o mar e a floresta (1922); colaborou com a A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileira, registando
ali alguns de seus versos; foi biografada por Elmo Elton no livro Áurea Pires da
Gama: perfil de uma poetisa angreense, publicado em 1974; a poetisa foi casada com
o escritor, juiz, desembargador e político Antônio Chichorro da Gama.