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[traduzido por Eugênio de Castro]
Amor, lembras-me, ao ver-te
carrancudo,
O teu busto de pedra
arrefecida:
Como este, não me dás sinal de
vida;
E mais do que ele estás
fechado e mudo.
Oculta-se o inimigo atrás do
escudo,
O amigo deve andar de fronte
erguida,
Foges de mim, que após ti vou,
dorida;
Pára! Não anda o mármore
sisudo.
Ah! para qual dos dois
voltar-me devo?
A frieza dos dois hei de
agüentar,
De ti que és vivo e dele sem
alento?
Basta de queixas vãs! Em doce
enlevo
Tão longamente a pedra vou
beijar,
Que dela enfim me arrancarás
ciumento!
Das Mädchen spricht
Du siehst so ernst, Geliebter! Deinem Bilde
Von Marmor hier möcht’ ich dich wohl vergleichen;
Wie dieses, gibst du mir kein Lebenszeichen;
Mit dir verglichen, zeigt der Stein sich milde.
Der Feind verbirgt sich hinter seinem Schilde,
Der Freund soll offen seine Stirn uns reichen.
Ich suche dich, du suchst mir zu entweichen;
Doch halte stand, wie dieses Kunstgebilde.
An wen von beiden soll ich nun mich wenden?
Sollt’ ich von beiden Kälte leiden müssen,
Da dieser tot und du lebendig heißest?
Kurz, um der Worte mehr nicht zu verschwenden,
So will ich diesen Stein so lange küssen,
Bis eifersüchtig du mich ihm entreißest.
[1808]
* Nota do Organizador Samuel Pfromm Netto: Uma donzela diz (Das Mädchen
spricht). Goethe tinha perto de 60 anos quando fez esta poesia.
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Goethe: Poesias escolhidas [múltiplos
tradutores], Organização, Apresentação, Musicografia goetheana e Notas sobre
poesias incluídas de Samuel Pfromm Netto e Biografia — A Vida de Goethe e Cronologia
de Emil Schostal, 2005, 2ª edição, Editora Átomo e Edições PNA, São Paulo — SP;
Johann Wolfgang von Goethe (1749 — 1832), alemão de Frankfurt am Main (no
antigo Sacro Império Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas
faces, formou-se em Direito, polímata, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor
teatral, teórico de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe
realizou suas primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; obras: Die
Laune des Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus
(1774), Os Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werther, 1774),
Clavigo (drama, 1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em
Táurides (Iphigenie auf Tauris [prosa] 1779 e 1786 [versos]), Torquato Tasso
(1789), Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de
Feiticeiro (1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (1801—1803),
Fausto (parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807),
Teoria das Cores (Farbenlehre, 1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De
minha vida. Poesia e verdade, autobiografia, 1811—1833), Viagem à Itália
(relatos autobiográficos, 1813—1817), West-östlicher Divan (Divã
Ocidento-Oriental, 1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II,
publicação póstuma, 1832) e muitas outras publicações em poesia, prosa e para
dramaturgia; o poeta fez parte de dois movimentos literários importantes na
Alemanha, o romantismo e o expressionismo, e influenciou a literatura em todo o
mundo; Goethe teve muito de sua poesia musicada por centenas de compositores,
entre os quais Beethoven, Franz Schubert, Anna Amalia, Hermann Behn, Hector
Berlioz, Arrigo Boito, Johannes Brahms, Luigi Dallapicola, Robert Franz,
François Gounod, Franz Liszt, Johann Carl Gottfried Lowe, Gustav Mahler,
Mozart, Robert Schumann, Tchaikovsky, Giuseppe Verdi, Richard Wagner...