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[paráfrase* de Régis Bonvicino]
Pela avenida ela fugia,
Iluminada eu a seguia,
Adivinhei! O olho dizia,
Hélas! Eu a reconhecia!
Iluminada eu a seguia,
Boca ingênua, nada via,
Oh! sim eu a reconhecia,
Ou sonhaborto ela seria?
Boca murcha, olho-fantasia;
Branco cravo, azul esvaía;
O sonhaborto amanhecia!
Ela em morta se convertia.
Jaz, cravo, de azul esvaía,
A vida humana prosseguia
Sem ti, defunta em demasia.
— Oh! já em casa, boca vazia!
Claro, eu não a conhecia.
Complainte de la bonne défunte
Elle fuyait par l'avenue,
Je la suivais illuminé,
Ses yeux disaient: "J'ai deviné
Hélas! que tu m'as reconnue!"
Je la suivis illuminé!
Yeux désolés, bouche ingénue,
Pourquoi l'avais-je reconnue,
Elle, loyal rêve mort-né?
Yeux trop mûrs, mais bouche ingénue;
OEillet blanc, d'azur trop veiné;
Oh! oui, rien qu'un rêve mort-né,
Car, défunte elle est devenue.
Gis, oeillet, d'azur trop veiné,
La vie humaine continue
Sans toi, défunte devenue.
— Oh! je rentrerai sans dîner!
Vrai, je ne l'ai jamais
connue.
* Nota do tradutor Régis Bonvicino: “Esta tradução é, de fato, uma
paráfrase. A alternância rímica está toda modificada. Mantive a métrica de oito
sílabas.”
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Litanias da lua: Jules Laforgue
— Organização, Nota Introdutória, Notícia Biográfica
e Tradução de Régis Bonvicino, edição bilíngue + Ensaios de Laforgue: Notas sobre
Baudelaire (traduzido por Heloisa Braz de Oliveira Prieto e Régis Bonvicino), Um
estudo sobre Corbière, Fragmento sobre Rimbaud e Fragmento sobre Mallarmé (os
três, pela tradução de Heloisa B. O. Prieto) e Ensaios sobre Laforgue: Jules Laforgue,
uma figura uruguaia (de Lisa Block de Bear, traduzido por Heloisa Prieto), Sob o
Signo da Lua (de Nelson Ascher) e Anarquia, Verso Livre (de Régis Bonvicino), 1989,
Iluminuras, São Paulo — SP; Julio Laforgue ou Jules Laforgue (1860
— 1887), nascido em Montevidéu — Uruguai, mas desde os seis anos de idade residindo
na França, terra de seus pais, fez os estudos iniciais em Tarbes, no Lycée Théophile
Gautier, concluindo-os em Paris no Lycée Fontanes (atual Lycée Condorcet), depois
passou pela École des beaux-arts (Escola de Belas Artes) também em Paris, foi poeta,
romancista, ensaísta, contista e tradutor; o poeta franco-uruguaio teve sua vida
literária associada ao Decadentismo e ao Simbolismo francês; em 1879, produziu
resenhas, críticas e desenhos legendados em sete edições da revista La Guêpe,
em Toulouse, editada por ex-alunos de Tarbes, também contribuiu para a primeira
edição da L’Enfer [revue], de curta duração; em 1880 publicou seus três
primeiros poemas na revue La Vie moderne; em 1881 escreveu Stéphane Vassiliew, uma novela; consta de sua biografia ter escrito cerca de duas centenas de poemas, além de prosa criativa e prosa crítica; e que sua poética influenciou fortemente T. S. Eliot, Ezra Pound e Marcel Duchamp;
traduziu Walt Whitman; Laforgue foi um dos primeiros poetas franceses a
escrever em versos livres, sendo o primeiro a fazê-lo sistematicamente; suas
obras: publicou em vida apenas quatro livros, Les Complaintes (1885),
L’Imitation de Notre Dame de la Lune, Le Concile Féerique (ambos em 1886) e
Moralités légendaires (1887); em Paris, teve artigos publicados no Le Figaro e na Revue Indépendante; postumamente editaram-se os livros Derniers Vers (1890),
Mélanges Posthumes (1903), Stéphane Vassiliew (novela escrita em 1881 e publicada en 1943) ...; a maior parte de sua obra só veio à luz após a
morte do autor; na fase final de sua curta vida, desde 1881, Jules Laforgue
exerceu ofício em Berlim, Alemanha — foi ledor/professor da Imperatriz Augusta
[von Sachsen-Weimar-Eisenach], casada com Guilherme I, “lia, em francês,
páginas de romances franceses e artigos de jornais como os da Revue des deux
Mondes"; durante o período em Berlim, escreveu textos sobre a cidade e a corte
imperial os quais foram publicados na Gazette des Beaux-Arts e na revista
Lutèce, francesas; adoecido, o poeta deixou o cargo de professor em 1886; no
Brasil, sua poética “fertilizou” Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade;
morreu aos 27 anos, de tuberculose.