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Na maior liberdade, estou sujeito
A duas forças de que não prescindo
— Relógio e coração, ambas no peito;
Uma, por fora; outra, por dentro, agindo.
E a sorte as equilibra com tal jeito
Que, ambas vivendo num labor infindo,
Uma produz, por fora, o mesmo efeito
Que a outra me vai, por dentro, produzindo.
Relógio é coração do tempo: ao mundo
Marca, pulsando, dia a dia, a idade.
Também relógio é o coração, no fundo.
Une-os em vida estranha afinidade.
Mas o relógio pára num segundo
E pára o coração na Eternidade.
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Poesias
Escolhidas — Luís Carlos, Preâmbulo de Luís Carlos Junior e
Apresentação/Prefácio de Lasinha Luís Carlos, 1970, Livraria São José, Rio
de Janeiro — RJ; Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros (1880 — 1932), nascido no Rio de Janeiro — RJ, formado pela Escola Politécnica
no Rio, foi engenheiro civil e poeta; exerceu a profissão de engenheiro na
Estrada de Ferro Central do Brasil e foi nomeado consultor técnico do
Ministério da Viação, sem nunca ter deixado de escrever; publicou seus versos
em jornais e revistas; congregado a um grupo de intelectuais, fundou a Hora Literária; obras: Colunas (poesias, 1920), Encruzilhada (prosa, 1922), Astros e Abismos (poesias,
1924), Rosal de Ritmos (resumo histórico sobre a poesia brasileira,
1924), Amplidão (poesias, edição póstuma, 1933); pertenceu à
Academia Brasileira de Letras.
