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era uma vez... bem lá no começo,
deixei uns versos na gaveta:
disse o poeta que se foi,
que todos os seus heróis
morreram de overdose.
os meus, não!
muitos foram pro governo,
já não sei se são heróis.
eu, que nem governo a mim mesmo,
me vi fazendo poemas
para não enlouquecer.
meus heróis estão morrendo
um pouco a cada dia
e todas suas façanhas
já roçam o esquecimento
de turbas e multidões.
no jogo das gerações
cada qual tem seu estilo
e todos pagam um preço.
enquanto correm os dias
vou me fazendo sujeito
fincado com os pés no chão.
cultivo um lado obscuro,
não vou aqui comentar
nem sei se um dia comento.
hoje, o meu humor
está mais pra laurel & hardy
do que para charles chaplin.
quer saber de uma coisa,
fuck you soa melhor ao seu ouvido
do que a palavra foda-se?
são paulo — sp, 3 de novembro de 2018.
genésio dos santos ferreira, paulista e itapetiningano, nascido em 1952, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra são paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até dia desses foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais o espelho — sp, folha bancária e pilotou o devezenquandário na moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro.