Vozes
vagas do Além; vozes perdidas,
Como
sombras sonoras, que se vão
De tantos
mundos e de tantas vidas,
Surdamente,
a rolar pela Amplidão...
Vozes
feitas de eternas despedidas;
“Nunca
Mais”... “nunca mais”; vozes que são
Remotas vibrações
indefinidas,
Afundando
o silêncio e a solidão.
Quem há,
como eu, que as ouça, tão de perto?
Quem há, se
é de as ouvir, de forma tal
Que o meu
destino é um trágico deserto?!
Ninguém. Porque
elas são, só por meu mal,
Os ecos
de minh’alma, que, decerto,
Se fez
algum adeus universal.
(Amplidão — poesias, edição póstuma, 1933)
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Luís Carlos — Série Essencial 72, Academia
Brasileira de Letras, Organização, Apresentação e Notas de Augusto Sérgio Bastos,
2013, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luís Carlos da Fonseca Monteiro
de Barros (1880 — 1932), nascido no Rio de Janeiro — RJ, formado pela Escola Politécnica
no Rio, foi engenheiro civil e poeta; exerceu a profissão de engenheiro na Estrada
de Ferro Central do Brasil e foi nomeado consultor técnico do Ministério da Viação,
sem nunca ter deixado de escrever; publicou seus versos em jornais e revistas cariocas,
entre os quais Fon Fon, Para Todos e Careta; há críticos literários que o classificam
como pertencente à última geração dos parnasianos; reunido a um grupo de intelectuais,
fundou a Hora Literária; obras: Colunas (poesias, 1920), Encruzilhada (prosa,
1922), Astros e Abismos (poesias, 1924), Rosal de Ritmos (resumo histórico sobre
a poesia brasileira, 1924), Amplidão (poesias, edição póstuma, 1933); pertenceu
à Academia Brasileira de Letras.










