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[traduzido por Carlindo Lellis*]
Quando um poema componho em
torturados
Hemistíquios, não os mais perfeitos
Pensamentos que tenho: os mais
amados
Versos que eu imagino não são
feitos.
Como em redor de flores, borboletas
O esplendor de asas lépidas agitam,
Em torno deste ideal, às brandas
setas
De um sol de ouro, estival, versos
palpitam.
Logo, porém, que os toco, o leve
bando
Desfaz-se... à minha dor constante
e viva
O pólen de íris fúlgido deixando
Da asa tremendo, delicada, esquiva.
Au Lecteur
Quand je vous livre mon poème,
Mon cœur ne le reconnaît plus:
Le meilleur demeure en moi-même,
Mes vrais vers ne seront pas lus.
Comme autour des fleurs obsédées
Palpitent les papillons blancs,
Autour de mes chères idées
Se pressent de beaux vers
tremblants;
Aussitôt que ma main les touche
Je les vois fuir et voltiger,
N’y laissant que le fard léger
De leur aile frêle et farouche.
(Stances et Poèmes — 1865)
* Nota de Mello Nóbrega, tradutor
de Diário Íntimo e Pensamentos: Sully Prudhomme...:
(Tradução ou, melhor, paráfrase do poema liminar de Stances et Poèmes, de que abrange apenas as três primeiras estrofes. Texto colhido na Antologia de Poetas Franceses — Do século XV ao século XX —, organizada por [R.] Magalhães Júnior. [Au Lecteur, no original, contém 5 estrofes])
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully Prudhomme [+ ‘Poemas de Sully
Prudhomme em Traduções Brasileiras’], Apresentação ‘Prefácio’ de Anders Österling,
Tradução e Notas de Mello Nóbrega, Estudo Introdutivo de Gabriel D’Aubarède, Ilustrações
de André Hambourg e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Sully Prudhomme,
por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora
Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme
(1839 — 1907), francês e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser
engenheiro, desistiu, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito, foi
pensador, ensaísta e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis
pela publicação de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881)
e foi o primeiro autor literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura
(1901); obras poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes
(1869), Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les
Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886),
Le Bonheur (1888)..., em prosa, escreveu Réflexions sur l’art des vers (prosa, 1892)
e outros escritos (diário e pensamentos); Sully Prudhomme deixou publicado ensaios
filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos periódicos
Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique et de
Morale e Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia, consta que
o poeta, “de saúde precária” desde a infância, a partir de 1870, sofreu mais complicações,
teve paralisia em “toda parte inferior do corpo” e após a qual “nunca mais recobraria
integralmente sua capacidade [motora]; teve poemas musicados, recebeu honrarias
e premiações por sua obra, entre as quais o já citado 1º Prêmio Nobel de Literatura
(1901).

