quinta-feira, 4 de agosto de 2016

V. Moojen de Oliveira *: Qualquer coisa

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Não sei se já notaste, mas existe
Qualquer coisa entre nós; um sentimento,
Uma força sutil mas que resiste
Ao tempo e às convenções. Por vezes tento

Explicar a mim mesmo em que consiste
Essa coisa qualquer: encantamento?
Afinidade? Amor? O pensamento
Em vão busca dizer, debalde insiste

Em sondar a verdade dentro d’alma.
Mas esse doce enlevo, e a doce calma
Que eu sinto que me envolvem se te vejo...

E depois essa angústia, esse desejo
De tudo, essa aflição, não sendo amor...
Deve ser qualquer coisa ainda maior.



* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; V. Moojen de Oliveira ou Virgílio Moojen de Oliveira (1902  1980), mineiro de Leopoldina, fez seus estudos secundários no Colégio Brasil, em Niterói, cursou a Escola Politécnica, desistiu, foi dentista, médico, professor e poeta bissexto; nos traços bio-bibliográficos sobre o poeta, nesta Antologia, consta que, ele, “Em 1945, imprimiu numa tiragem de 250 exemplares , que não foram expostos à venda, uma brochura de vinte e dois poemas sob o título de Folhas caídas. O livrinho é dedicado a Afrânio Peixoto...

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