sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Odilo Costa Filho *: Estás dobrando o Cabo das Tormentas . . . [soneto]

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Estás dobrando o Cabo das Tormentas
Entre humanos pesares e singelas
Alegrias: as terras violentas
Nem são mais vistas das serenas velas.

Vêm ventos novos pelas velhas águas,
Anjos falam do amor vencendo a morte
E em penas infantis mudando as mágoas.
Oh! tão frágil mulher, peito tão forte!

A fina face tem um novo brilho,
Nascido no mergulho além da vida.
Nem males novos mais te ferirão.

Deus, por ti, por teu filho, por Seu filho,
Há de poupar-te a dor imerecida…
E do barro as estrelas nascerão.

Rio, 22101964



* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia (1946), o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Odilo Costa Filho (1914 1979), maranhense de São Luís, formado em Direito pela Universidade do Brasil, atual UFRJ, foi jornalista, cronista, novelista e poeta; colaborou, inicialmente, no semanário Cidade Verde, de Teresina  PI, depois, já no Rio, trabalhou na redação do Jornal do Commercio, foi co-fundador e diretor do semanário Política e Letras, redator do Diário de Notícias e do Jornal do Brasil, diretor da Tribuna da Imprensa, A Noite, Rádio Nacional, revista Senhor, além de ter exercido várias funções em outros periódicos da época; escreveu e publicou Graça Aranha e outros ensaios (1934), Livro de poemas (em colaboração com Henrique Carstens, 1936), Distrito da confusão (crônicas, 1945), A faca e o rio (novela, 1965), Tempo de Lisboa e outros poemas (1966), Maranhão, São Luís e Alcântara (1971), Cantiga incompleta (poesia, 1972), Os bichos do céu (poesia, 1972), Notícias de amor (poesia, 1974), Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão (ensaio, 1975), Boca da noite (poesia, 1979); pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

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