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I
Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;
Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;
Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.
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Coletânea de Poetas Paulistas — Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ;
Francisca Júlia da Silva Munster (1874 — 1920), nascida em
Xiririca, hoje Eldorado — SP, teve sua estréia literária em 1891
nas páginas do jornal O Estado de São Paulo e, ao longo dos anos,
publicou seus poemas em jornais e revistas (Correio Paulistano e Diário Popular, em São Paulo, e O Álbum e A Semana, no Rio de Janeiro); deixou-nos como legado Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfinges (1903) e Alma
infantil (1912), este último em colaboração com seu irmão Júlio César
da Silva; do livro Esfinges, Monteiro Lobato fez uma reedição em
1920.
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