segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Francisca Júlia: Musa impassível

Resultado de imagem para coletânea de poetas paulistas Editora minerva enéas de moura
____________________
I

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.

Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.

Resultado de imagem para francisca júlia
____________________
Coletânea de Poetas Paulistas  Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ; Francisca Júlia da Silva Munster (1874  1920), nascida em Xiririca, hoje Eldorado SP, teve sua estréia literária em 1891 nas páginas do jornal O Estado de São Paulo e, ao longo dos anos, publicou seus poemas em jornais e revistas (Correio Paulistano e Diário Popular, em São Paulo, e O Álbum e A Semana, no Rio de Janeiro); deixou-nos como legado Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfinges (1903) e Alma infantil (1912), este último em colaboração com seu irmão Júlio César da Silva; do livro Esfinges, Monteiro Lobato fez uma reedição em 1920.

Nenhum comentário:

Postar um comentário