sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Henriqueta Lisboa: O Menino Poeta

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O menino poeta
não sei onde está.
Procuro daqui
procuro de lá.
Tem olhos azuis
ou tem olhos negros?
Parece Jesus
ou índio guerreiro?
Trá-la-lá-lá-li
trá-lá-lá-lá-lá
Mas onde andará
que ainda não o vi?
Nas águas de Lambari,
nos reinos do Canadá?
Estará no berço,
brincando com os anjos,
na escola, travesso,
rabiscando bancos?
O vizinho ali
disse que acolá
existe um menino
com dó dos peixinhos.
Um dia pescou
pescou por pescar
um peixinho de âmbar
coberto de sal.
Depois o soltou
outra vez nas ondas.
Ai! que esse menino
será, não será?…

Certo peregrino
(passou por aqui)
conta que um menino
das bandas de lá
furtou uma estrela.
Tra-lá-li-lá-lá.
A estrela num choro
O menino rindo.
Porém de repente
(menino tão lindo!)
subiu pelo morro
tornou a pregá-la
com três pregos de ouro
nas saias da lua.
Ai! que esse menino
será, não será?...

Procuro daqui
procuro de lá.
O menino poeta
quero ver de perto
quero ver de perto
para me ensinar
as bonitas cousas
do céu e do mar.

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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Henriqueta Lisboa (1901  1985), mineira de Lambari, poeta, ensaísta e professora universitária, dedicou sua vida à poesia e foi considerada um dos grandes nomes da lírica modernista; a autora manteve-se sempre ativa e em contato com os literatos de sua geração, angariando, assim, muitos leitores ilustres, dentre eles, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral; deixou-nos extenso legado de poesias, ensaios, coletâneas e traduções; alguns de seus livros de poemas: Fogo-fátuo (1925), Enternecimento (1929), Velório (1936), Prisioneiro da noite (1941), O menino poeta (1943), A face lívida (1945), Flor da morte (1949), e muitos outros títulos; pelo seu livro Enternecimento, recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia (1929), e, pelo conjunto de sua obra, recebeu o Prêmio Machado de Assis (1984), honrarias concedidas pela ABL  Academia Brasileira de Letras, entidade a que pertenceu, tendo sido eleita em 1963; foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira nesta entidade; lecionou Literatura Hispano-Americana e Literatura Brasileira nas faculdades mineiras Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal.

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