
XIII
Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera
Achar te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar te desespera!
Ah se ao menos teu nome ouvir pudera
Entre esta aura suave, que respira!
Nise, cuido, que diz; mas é mentira.
Nise, cuidei que ouvia; e tal não era.
Grutas, troncos, penhascos da espessura,
Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostrai, mostrai me a sua formosura.
Nem
ao menos o eco me responde!
Ah como é certa a minha desventura!
Nise? Nise? onde estás? aonde? aonde?

* Nota da edição: Onde, aonde: eram palavras equivalentes, tanto em Cláudio como em Gonzaga (e outros poetas)
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Poesia
do Ouro (Antologia) — Os Mais Belos Versos da “Escola Mineira”, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1964,
Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Cláudio Manuel da Costa
(1729 — 1789), mineiro de Mariana (antiga Vila do Ribeirão do
Carmo), foi advogado, magistrado, e poeta; fez seus primeiros estudos em
Vila Rica, hoje Ouro Preto, estudou no Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro,
e formou-se em Cânones (Direito), pela Universidade de Coimbra, em Portugal;
por vezes assinou seus textos com o pseudônimo de Glauceste Satúrnio; escreveu
e publicou Culto Métrico (1749), Munúsculo Métrico (poesia,
1751), Epicédio (poesia, 1753), Obras Poéticas de Glauceste
Satúrnio (1768), O Parnaso Obsequioso e Obras Poéticas (1768), Vila Rica (poesia, 1773), Poesias Manuscritas (1779); de
família rica, fazendeiro e minerador, participou da Inconfidência Mineira, foi
preso em maio de 1789 e encontrado morto na prisão em julho do mesmo
ano — uma versão diz que ele se suicidou, já outra, que foi
assassinado.
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