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Soltas, ombros abaixo, os revoltos cabelos,Que te envolvem num longo e veludoso abraço;
E, como um rio negro, os seus negros novelos
Rolam no vale em flor do teu brando regaço.
E, na louca embriaguez dos meus sentidos, pelos
Cinco oceanos do Sonho o meu roteiro faço,
A senti-los na mão, beijá-los e mordê-los,
Até morrer de amor, sucumbir de cansaço!
E, pousando a cabeça em teu seio, que estua,
Sinto um sono ligeiro, um sussurro de brisa,
Que me suspende ao céu e pelo céu flutua...
E, num sonho feliz, como num mar profundo,
A minh’alma desliza, a minh’alma desliza,
Como as Naus de Colombo, a procura de um Mundo...
(Vaidades, 1908,
Laemmert &
C., S. Paulo, pág. 125.)

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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Batista Cepelos
(1872 — 1915), paulista de Cotia, formado em Direito pela
Faculdade de São Paulo, foi soldado, advogado, promotor público, poeta,
tradutor, romancista e teatrólogo; escreveu e publicou A
Derrubada (poesia, 1896), O Cisne Encantado (poesia,
1902), Os Bandeirantes (poesia, 1906), Vaidades (poesia,
1908), O Vil Metal (romance e novela, 1910), Maria
Madalena (drama bíblico, em versos); como tradutor, Batista Cepelos é
tido como o primeiro autor brasileiro a verter para a língua portuguesa, em
livro, o poema ‘Azul’, da obra de Stéphane Mallarmé; traduziu também Francisco
de Gôngora, Baudelaire e Paul Verlaine.
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