sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Batista Cepelos: Nas Ondas de uns Cabelos

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Soltas, ombros abaixo, os revoltos cabelos,
Que te envolvem num longo e veludoso abraço;
E, como um rio negro, os seus negros novelos
Rolam no vale em flor do teu brando regaço.

E, na louca embriaguez dos meus sentidos, pelos
Cinco oceanos do Sonho o meu roteiro faço,
A senti-los na mão, beijá-los e mordê-los,
Até morrer de amor, sucumbir de cansaço!

E, pousando a cabeça em teu seio, que estua,
Sinto um sono ligeiro, um sussurro de brisa,
Que me suspende ao céu e pelo céu flutua...

E, num sonho feliz, como num mar profundo,
A minh’alma desliza, a minh’alma desliza,
Como as Naus de Colombo, a procura de um Mundo...

(Vaidades, 1908, Laemmert &
 C., S. Paulo, pág. 125.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Batista Cepelos (1872 — 1915), paulista de Cotia, formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi soldado, advogado, promotor público, poeta, tradutor, romancista e teatrólogo; escreveu e publicou A Derrubada (poesia, 1896), O Cisne Encantado (poesia, 1902), Os Bandeirantes (poesia, 1906), Vaidades (poesia, 1908), O Vil Metal (romance e novela, 1910), Maria Madalena (drama bíblico, em versos); como tradutor, Batista Cepelos é tido como o primeiro autor brasileiro a verter para a língua portuguesa, em livro, o poema ‘Azul’, da obra de Stéphane Mallarmé; traduziu também Francisco de Gôngora, Baudelaire e Paul Verlaine.

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